O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas foram divulgadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA.
Além das sanções, o governo norte-americano classificou o PCC como a maior organização criminosa do Ocidente. A facção, assim como o Comando Vermelho (CV), já havia sido designada como organização terrorista por Washington no fim de maio.
Esquema teria movimentado milhões de dólares
Segundo o Departamento do Tesouro, as investigações apontam que os suspeitos utilizavam empresas de fachada para receber recursos provenientes de atividades criminosas nos Estados Unidos e enviá-los ao PCC no Brasil.
Os principais alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
De acordo com o governo norte-americano, Shimada seria o principal elo entre operadores da facção na Flórida e traficantes internacionais, tendo movimentado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) por meio de operações com criptomoedas para ocultar a origem dos recursos.
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Já Stella é apontada como colaboradora direta de Shimada, responsável por prestar apoio logístico e auxiliar na retirada de grandes quantias de dinheiro.
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação da defesa dos investigados.
Empresas também foram alvo das sanções
As autoridades americanas afirmam que Shimada utilizava uma rede de empresas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras e dificultar o rastreamento dos recursos.
Foram sancionadas as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda., todas sediadas em São Paulo.
Também foi incluída na lista de sanções a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
Bloqueio de bens e restrições financeiras
As sanções determinam o bloqueio de todos os bens e interesses patrimoniais dos investigados que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos norte-americanos.
Além disso, empresas e pessoas dos EUA ficam proibidas de realizar transações com os sancionados. Instituições financeiras estrangeiras que mantiverem negócios relevantes com os investigados também poderão ser alvo de medidas restritivas.
PCC já havia sido alvo de outras sanções
Segundo o Departamento do Tesouro, o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos por atuar no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro em território americano, principalmente na Flórida.
As autoridades também afirmam que investigações realizadas no Brasil identificaram uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada à facção que teria movimentado mais de US$ 190 milhões (cerca de R$ 990 milhões) em apenas sete meses, utilizando uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma de comércio eletrônico.
Esta é a terceira vez que o Ofac aplica sanções relacionadas ao PCC. A primeira ocorreu em dezembro de 2021, por envolvimento da facção com o tráfico internacional de drogas. Em março de 2024, o órgão também sancionou Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado como operador financeiro da organização.
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