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EUA e Irã devem retomar negociação de paz no Paquistão

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Nesta sexta-feira (24), o chanceler da teocracia, Abbas Araghchi, anunciou que irá ao Paquistão. Segundo a mídia estatal iraniana, ele não iria se encontrar com representantes americanos, e sim apresentar as propostas de Teerã para os anfitriões, que então as repassariam a Washington.

Poucas horas depois, integrantes do governo americano informaram a diversos veículos que dois negociadores estavam a caminho de Islamabad, Steve Witkoff e o genro presidencial Jared Kushner, que cuida dos interesses empresariais do sogro mesmo sem ter cargo oficial.

Ficou de fora, provavelmente por dificuldades no arranjo de segurança em cima da hora, o vice-presidente J. D. Vance, que Trump havia anunciado ao longo da semana como pronto para voar ao Paquistão. Ele comandou, ao lado de Witkoff e Kushner, a rodada fracassada de conversas entre os rivais há duas semanas em Islamabad.

Araghchi disse no X que irá também a Omã, país que mediava as conversas com Washington antes da guerra e acabou sendo alvo de retaliação iraniana durante o conflito, apesar de Teerã dizer que não tinha intenção de atacar. Depois, voará para a Rússia, onde tem em Vladimir Putin um aliado.

Na terça (21), Trump adiou por tempo indefinido a trégua que havia estabelecido no dia 7 passado com o Irã, após cinco semanas de ataques americanos e israelenses ao regime islâmico. As conversas iniciais em Islamabad se deram logo em seguida.

A prioridade de Trump, entre tantas anunciadas ao longo da guerra, era a reabertura do estreito de Hormuz, vital para o mercado de energia do planeta. O trânsito de petroleiros e de outros navios havia caído a 10% do usual com o conflito.

O Irã manteve o controle, minando parte da região para obrigar o estabelecimento de uma rota por suas águas, com pedágio para embarcações.

O americano buscou combater isso com um bloqueio próprio, contra navios indo e vindo de portos do Irã. Com isso, Teerã rejeitou a ideia de negociar. Trump desistiu de retomar a guerra, o que deveria ocorrer com o fim do cessar-fogo na terça, mas manteve o embargo.

Com isso, o Irã se apegou ao que chama de violação de trégua para rejeitar negociações diretas. Resta agora saber se haverá encontro direto entre Araghchi e os americanos, ou uma repetição do modelo das negociações sob a mediação do Omã, quando os times passavam mensagens em salas separadas por meio de terceiro.

Em entrevista sobre o conflito, o secretário Pete Hegseth (Defesa) apenas disse que “o Irã sabe que ainda tem uma janela aberta para escolher sabiamente à mesa de negociações”. “Tudo o que eles precisam fazer é abandonar (o desejo de ter) uma arma nuclear de forma séria e verificável”, disse.

Hegseth insiste em que a entrada e saída de Hormuz estão sob controle americano, e diz que o bloqueio se estende a qualquer ponto dos oceanos. Na quinta, os EUA anunciaram ter abordado um navio com petróleo iraniano sob sanção no oceano Índico, um dia após o Irã apreender dois cargueiros perto de sua costa.

A questão do programa nuclear iraniano é o “casus belli” mais citado nesse conflito. Em 2018, Trump abandonou um arranjo em que Teerã renunciava à bomba. O acordo limitou as capacidades de enriquecimento de urânio por 15 anos sob supervisão da ONU.

Os EUA alegaram que o Irã podia violar a qualquer momento o acordo. Agora, pelos termos que transpareceram das conversas de antes e depois da guerra, podem acabar aceitando algo semelhante. Teerã quer em troca o fim de sanções econômicas, como no acerto de 2015.

A complicação é Hormuz, que não estava à mesa antes. O Irã quer manter o pedágio e o controle, algo rejeitado por americanos e aliados árabes dos EUA. Uma solução intermediária poderá ser uma cobrança dupla, da teocracia e também de Omã, que fica na margem sul do estreito, mas os países do golfo Pérsico são contrários.

Há diversos outros itens, como a eventual reparação pela destruição da guerra e o programa de mísseis de Teerã. Mesmo tendo seu governo decapitado e as Forças Armadas fortemente afetadas pelos bombardeios, a teocracia manteve capacidade de lançar drones e mísseis contra Israel e os vizinhos árabes.

Leia Também: Rússia ameaça com resposta dura a novo pacote de sanções europeu

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