segunda-feira, abril 27, 2026

Falta de medicamentos ameça vida de transplantada cardíaca em Campo Grande

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Há dois anos, a aposentada Elessandra Cruz dos Santos, de 51 anos, ganhou uma nova chance de viver, por meio de um transplante de coração, realizado em 2023. Entretanto, a oportunidade está ameaça por complicações pós-cirúrgicas, insuficiência renal, osteoporose, e uma batalha diária para garantir os remédios que mantêm sua vida. 

Aposentada por invalidez e ganhando por volta de R$ 940, ela relata que entrou com um pedido de quatro medicamentos pela Casa da Saúde em Campo Grande, sendo que dois são utilizados para evitar a rejeição do órgão transplantado. Porém, a unidade alega que os fármacos estão em falta. 

“Eu não tenho condições de comprar, já dependo de outros remédios que eles dizem ter pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas quando vou ao posto só encontro dipirona ou metformina”, relata.

O pouco valor pago pelo benefício ainda precisa ser dividido entre as contas da casa, como água, luz, alimentação e arcar com parte da medicação. O irmão, com quem divide a casa, está desempregado após fraturar o tornozelo. “Graças a algumas pessoas tenho arroz e feijão, mas sei que precisava de uma alimentação melhor para me recuperar. Só que minhas condições não permitem”, desabafa.

Sem resposta

Elessandra ainda recorda a dívida contraída antes do transplante, quando precisou adaptar sua residência para viver ligada a um coração artificial. “Tive que fazer empréstimos, pois dependia 100% de energia elétrica. Depois ainda precisei morar em São Paulo por muito tempo, porque não tinha onde ficar durante o tratamento”.

A mulher segue tentando retorno da Casa da Saúde, mas o órgão segue dando negativas. “Entro em contato com eles para saber quando tem medicação, se tem como a gente pegar em outro lugar ou conseguir comprar mais barato, e eles dizem não”.

Elessandra teme pela própria vida. “Eu estou sem remédio, não tenho como comprar. Venho lutando há tanto tempo e posso perder porque não consigo me manter financeiramente”, afirma.
Além dos comprimidos, ela depende de uma injeção a cada seis meses, garantida apenas após ação judicial. “Imploro por ajuda de qualquer órgão que possa me socorrer. Só quero continuar lutando”, diz, emocionada.

A reportagem tentou contato com a Casa de Saúde que orientou o repasse da cobrança a SES (Secretaria de Estado de Saúde).

 



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