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Família luta contra o tempo para trazer corpo de familiar de Portugal para o Brasil

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Três anos após deixar Campo Grande (MS) em busca de novas oportunidades e condições de vida para sua família em Portugal, Ramão Segóvia Ortiz teve a vida interrompida por uma fatalidade. Agora, familiares travam uma corrida contra o tempo para conseguir trazê-lo de volta ao Brasil e garantir que ele seja sepultado ao lado da família.

Ramão faleceu no dia 4 de agosto, em Portugal. Segundo informações repassadas pelos familiares, há indícios de que a morte tenha ocorrido por causas naturais, mas a confirmação oficial só poderá ser obtida após a vinda de Ramão para o Brasil. O corpo permanece no Instituto de Medicina Legal (IML) de Santarém, enquanto toda a família está em Campo Grande. 

Desde então a família têm travado uma força-tarefa para trazê-lo de volta O translado de Ramão deve ser viabilizado até dia 3 de setembro. Após esse período, há risco de que o corpo seja sepultado em Portugal.

O principal obstáculo é o financeiro, o custo do traslado internacional foi estimado entre R$ 45 mil e R$ 60 mil, valor considerado impossível de ser arcado pela família.

Sonho construído com sacrifício

Em entrevista ao Portal Primeira Página, a sobrinha e afilhada de Ramão, Michely Segóvia Giuliani, descreveu o tio como uma pessoa generosa, prestativa e inspiradora.

“Ele era uma pessoa incrível. Tinha um coração gigantesco e sempre estava disposto a ajudar os outros. No bairro onde cresceu, ajudava as pessoas, levava ao médico, buscava em consultas. Era conhecido por estar sempre pronto para quem precisasse”, relembra.

"Ele tinha um coração gigante": sobrinha relembra legado de Ramão. (Foto: Divulgação)

O sonho de proporcionar melhores condições para a família motivou a mudança para a Europa, mas a trajetória em Portugal não foi simples. Ramão enfrentou dificuldades desde a chegada ao país, trabalhando em diferentes atividades para se manter e conquistar seus objetivos.

“Ele era muito sonhador. Foi para Portugal porque acreditava que poderia construir uma vida melhor para ele, para a esposa e para toda a nossa família. Sempre incentivava todos a estudarem e acreditarem que a educação poderia mudar a realidade das pessoas”, conta Michely.

Último desejo da família é sepultar Ramão ao lado de quem ele tanto amava. (Foto: Divulgação)
Último desejo da família é sepultar Ramão ao lado de quem ele tanto amava. (Foto: Divulgação)

Depois de anos de luta, ele havia conseguido recentemente regularizar sua situação migratória, com a autorização de residência que o permitia morar e trabalhar legalmente em Portugal.

“Ele era muito determinado. Passou por momentos difíceis, mas nunca desistiu. Infelizmente, justamente quando estava realizando um dos grandes sonhos dele, fomos surpreendidos por essa perda”, afirma.

Além da esposa, Ramão deixa familiares em Mato Grosso do Sul, entre eles o pai, de 89 anos, que aguardava reencontrar o filho.

Família buscou ajuda em todas as esferas

Desde que receberam a notícia da morte, os familiares iniciaram uma verdadeira força-tarefa para tentar trazer Ramão de volta para casa.

Foram realizados contatos com o Consulado Brasileiro, a Embaixada do Brasil em Portugal, o Ministério das Relações Exteriores, a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado. Sem uma solução concreta, o caso foi levado à Defensoria Pública da União (DPU), que ingressou com uma ação judicial em caráter de urgência. 

Em decisão assinada no dia 18 de agosto, a 1ª Vara Federal de Campo Grande concedeu tutela de urgência determinando que a União, por meio do Ministério das Relações Exteriores, do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa e demais órgãos competentes, adote e custeie todas as providências necessárias para trazer o corpo de Ramão de Santarém para Campo Grande. 

Justiça Federal determina que União custeie traslado de brasileiro morto em Portugal. (Foto: Ilustrativa)

Na decisão, o juiz destacou que a família comprovou a incapacidade financeira para arcar com os custos, além de reconhecer o risco de sepultamento no exterior caso não haja rapidez nos procedimentos. Também foi determinado que a União preserve o corpo e adote as medidas necessárias para evitar o chamado sepultamento social enquanto os trâmites seguem em andamento. 

O magistrado ainda determinou que as providências administrativas sejam iniciadas imediatamente e comprovadas nos autos em até 48 horas.

Corrente de solidariedade continua

Apesar da decisão favorável, familiares e amigos continuam mobilizados em uma campanha de arrecadação e conscientização para ampliar a visibilidade do caso e garantir que Ramão retorne ao Brasil o mais rápido possível.

Para isso, foi criada uma vaquinha online e também uma chave Pix para doações diretas.

Além das doações, amigos e familiares organizam um bingo, baile e show beneficente para arrecadar recursos destinados ao traslado. As informações divulgadas pela campanha são:

  • Data: 22 de agosto (sábado)
  • Horário: 19h
  • Local: Recanto dos Pássaros, Avenida Cônsul Assaf Trad, 3484, fundo das Lojas Rigas, em Campo Grande
  • Entrada: R$ 30
Após anos buscando uma vida melhor em Portugal, Ramão agora mobiliza campanha para retornar ao Brasil pela última vez. (Foto; Divulgação)

Enquanto aguarda os desdobramentos da decisão judicial, a família segue unida pelo mesmo objetivo: permitir que Ramão seja trazido para casa e receba sua despedida ao lado das pessoas que sempre fizeram parte de sua história.

“Só queremos trazer Ramão de volta para casa e sepultá-lo junto da família”, resume Michely.

A história de Ramão Segóvia Ortiz foi marcada pela coragem, determinação e pelo sonho de oferecer uma vida melhor para quem amava.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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