quarta-feira, novembro 4, 2026

Fé também movimenta negócios e amplia mercado de artigos religiosos

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A procura por produtos ligados à fé e à espiritualidade também movimenta o comércio e abre espaço para empreendimentos voltados a públicos específicos. Imagens, terços, bíblias, livros, vestuário, acessórios e objetos de decoração estão entre os itens que podem compor o catálogo de lojas de artigos religiosos. Nesse segmento, a variedade de produtos, a identificação do consumidor com as peças e a capacidade de atender diferentes tradições são fatores importantes para a construção de um negócio.

A trajetória de uma empreendedora que abriu uma loja de artigos religiosos em 2016, no interior de São Paulo, ilustra esse movimento. O negócio começou como uma alternativa para atender à demanda de consumidores e complementar a renda. Com a ampliação do catálogo e a criação de um mix próprio de produtos, a operação ganhou espaço e passou a trabalhar com o modelo de franquias. A empresária relata que a procura aumentou durante e depois da pandemia, período em que a conexão com a fé ganhou ainda mais presença na rotina de parte da população.

Mudanças no perfil religioso ampliam a diversidade do público

O Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o perfil religioso brasileiro está em transformação. Entre as pessoas com 10 anos ou mais, 56,7% se declararam católicas, enquanto 26,9% afirmaram seguir religiões evangélicas. Em 2010, esses grupos representavam, respectivamente, 65,1% e 21,6% da população dessa faixa etária.

O levantamento também registrou 9,3% de pessoas sem religião, 1,8% de espíritas e 1% de praticantes de umbanda e candomblé. Outras religiosidades somaram 4%. Os números indicam que o público interessado em produtos religiosos não é homogêneo e que as empresas precisam considerar as particularidades de cada segmento.

Para o comércio, essa diversidade pode representar oportunidades de trabalhar com linhas específicas, desde artigos tradicionais até peças personalizadas e produtos destinados a diferentes momentos de celebração. A segmentação, no entanto, exige conhecimento sobre os hábitos de compra e respeito às características de cada tradição religiosa.

Goiás reúne diferentes públicos e eventos de fé

Em Goiás, os dados do Censo 2022 também revelam um cenário diversificado. Os católicos representam 51,9% da população com 10 anos ou mais, enquanto os evangélicos correspondem a 32,6%. Em Goiânia, a proporção de evangélicos chega a 33,9%, o que coloca a capital na sétima posição entre as capitais brasileiras com maior participação desse grupo. Os católicos representam 46,8% dos moradores da cidade nessa faixa etária.

Outro fator que movimenta a economia ligada à fé é o turismo religioso. A Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, atrai visitantes de diferentes regiões e cria demanda para atividades comerciais, hospedagem, alimentação e transporte. Pesquisa divulgada pela Goiás Turismo apontou que a proporção de visitantes que pernoitaram na cidade durante a Romaria passou de 28,6%, em 2025, para 34,1%, em 2026. Além disso, 75,5% dos entrevistados disseram ter o hábito de retornar todos os anos à celebração.

Comércio eletrônico amplia o alcance dos pequenos negócios

A internet também permite que lojas de nicho alcancem consumidores fora de sua região de origem. O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 295,6 bilhões em 2025, crescimento de 20% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborado com dados do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Franquias aparecem como alternativa para expansão

O crescimento de um negócio de nicho pode levar o empreendedor a avaliar outros formatos de operação. A franquia é uma das alternativas, mas exige planejamento, padronização de processos, definição de fornecedores e capacidade de oferecer suporte aos futuros franqueados. A expansão precisa considerar também o perfil de consumo de cada cidade e a viabilidade financeira das unidades.

O mercado brasileiro de franquias faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, alta nominal de 10,5% em relação a 2024, conforme a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O setor encerrou o ano com 202.444 operações em funcionamento e 3.297 redes, além de aproximadamente 1,76 milhão de empregos diretos. Os números mostram a dimensão do sistema de franquias no País, embora não representem especificamente o desempenho do comércio de artigos religiosos.

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