terça-feira, novembro 3, 2026

Filha de vítima de feminicídio relata descrença com o crime: "como iriamos imaginar?"

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O assassinato de Ângela Nayhara Guimarães Gurgel, de 54 anos, marca um recorte trágico da violência contra as mulheres em Mato Grosso do Sul, que chega a quase 40 feminicídios em 2025, e ultrapassa a marca de 2024. Ângela foi morta na manhã desta segunda-feira (8), pelo ex-companheiro, Leonir Gugel, de 59 anos, que não aceitou o pedido de divórcio. 

Uma das filhas do casal postou nas redes sociais a incredulidade com o ocorrido, vindo de alguém que ela considerava como pai. “Infelizmente minha mãe se foi, infelizmente ela foi vítima de mais um feminicídio, sua vida foi ceifada por um indivíduo que convivia com ela, comigo e com a minha família todos os dias, era meu ‘pai’, como iríamos imaginar que alguém tão próximo faria algo terrível assim?”, disse. 

O crime aconteceu um dia após manifestações para o fim da violência contra a mulher e feminicídio. Ao som de cantos, gritos, ordens, palavras de resistência e cartazes, a mobilização ‘Mulheres Vivas’, marcou a urgência de ampliar públicas de proteção e de responsabilização efetiva dos agressores. Porém, Ângela foi mais uma vítima do poder público que não consegue proteger as mulheres. 

“Vemos notícias, alertas, casos e mais casos de crimes assim, mas imaginar que isso possa ocorrer com a pessoa que você mais ama, é aterrorizante, mais aterrorizante ainda é viver uma tragédia dessa, é um pedaço do seu coração arrancado para fora”, complementou a filha. 

O caso

Ângela Nayhara Guimarães Gurgel, de 54 anos, foi assassinada a golpes de canivete pelo ex-companheiro, Leonir Gugel, 59 anos, na manhã desta segunda-feira (8). O crime ocorreu na Rua Antônio Pinto da Silva, na Vila Taveirópolis, em Campo Grande.

Conforme apurado pela equipe no local, Leonir atacou a vítima e também teve um ferimento grave na altura do pescoço. Ele foi socorrido em estado grave pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado a Santa Casa. Ângela chegou a ser socorrida por uma equipe de resgate, com tentativas de reanimação ainda na residência, mas não resistiu aos ferimentos.

Conforme os primeiros levantamentos da Polícia Civil, o casal não tinha histórico de brigas e não havia nenhum boletim de ocorrência registrado pela vítima contra o autor.

Ainda conforme a delegada, o crime foi motivado pelo pedido de separação. Ângela e Leonir teriam brigado neste domingo (7), quando ela pediu para separar. 
 

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