Um vídeo gravado na semana passada revela a relação tensa entre Edvaldo Ferreira de Souza, de 49 anos, e os dois sobrinhos acusados de esfaqueá-lo até a morte neste sábado (30), no bairro Taquarussu, em Campo Grande. Nas imagens, Edvaldo aparece bastante exaltado, armado com dois facões, andando de um lado para o outro no quintal de casa.
Enquanto ele se agita e segura o portão, os jovens aparecem no vídeo com um saco preto, limpando o quintal. Segundo vizinhos, a cena era frequente: o tio exigia que os sobrinhos cuidassem da casa e do terreno, muitas vezes sob ameaças.
“Ele sempre estava ameaçando os meninos lá. Ele ameaçava os meninos para limpar a casa dele. Ali praticamente só tem família”, contou um morador da região.
Ainda conforme o vizinho, Edvaldo era usuário de drogas e costumava ficar mais agressivo quando estava sob efeito de entorpecentes. “Ele sempre fazia isso quando estava drogado. Chegava alucinado, ameaçando os guris, fazendo limpar o quintal, a casa dele”, relatou.
No vídeo, Edvaldo chega a bater o portão com força, quase atingindo uma criança que estava do lado de fora, junto a uma mulher. A mulher grita para alertar sobre a presença da menor.
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Assassinato
Edvaldo foi morto a golpes de facão pelos mesmo sobrinhos que aparecem na filmagem. Trata-se de Kenedy Deivid Pantaleão Ferreira e Keterson Fernandes Gimenes, ambos de 22 anos, que fugiram após o crime.
O caso aconteceu durante uma briga envolvendo familiares, motivada por uma discussão sobre lixo deixado em um corredor. De acordo com o boletim de ocorrência, a confusão começou ainda pela manhã, quando uma vizinha reclamou de uma sacola de lixo deixada no corredor que dá acesso às casas.
Edvaldo questionou a irmã de Kenedy, sobre quem teria deixado o lixo no local. Irritada, a mulher respondeu que não sabia e pediu que ele parasse de “dar nojo” e respeitasse o luto pela morte de Emanuelly.
O tio então teria repassado a frase a vizinha. À tarde, a filha da vizinha voltou a cobrar explicações, e Edvaldo, que segundo testemunhas havia ingerido bebida alcoólica, retomou a discussão.
Ele teria saído do local e retornado minutos depois, armado com um facão. Nesse momento, Kenedy interveio e, munido de um pedaço de madeira, golpeou o tio na cabeça por trás, derrubando-o.
Com a vítima já caída, conforme a investigação, Kenedy tomou o facão e desferiu vários golpes contra a cabeça de Edvaldo. O primo dele, Keterson, também teria participado da agressão, atingindo a vítima com a mesma arma. O homem morreu no local.
A versão registrada pela Polícia Militar acrescenta que, após o crime, Kenedy fugiu em um Ford Escort Hobby, levando consigo o facão usado no assassinato. Já o Corpo de Bombeiros constatou o óbito de Edvaldo às 17h50.
A perícia técnica foi acionada e acompanhada por equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações da Polícia Civil). O corpo foi recolhido pela funerária e os parentes de Kenedy foram levados para prestar depoimento na Depac (delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) – Cepol.
O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil e é investigado pela Polícia Civil.


