“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, buscando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai”escreveu o senador, em nota.
Informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha mostram que Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o longa-metragem sobre Bolsonaro.
No comunicado, Flávio disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024 e que, na época, não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o ex-banqueiro. O senador afirmou ainda que buscou contato com o dono do Master porque houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio para concluir o filme.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”declarou o pré-candidato.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o filho de Bolsonaro repete as alegações da nota e acrescenta que Vorcaro “simplesmente parou de honrar” com os pagamentos para bancar a produção, o que fez com que outros investidores tivessem que ser procurados.
“Sim, tinha um contrato que, ao ele não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, do filme sequer ser concluído”disse Flávio.
A nota à imprensa foi divulgada nesta tarde após inicialmente Flávio negar os pagamentos. Ao ser abordado pela equipe do Intercept ao deixar o STF (Supremo Tribunal Federal), o parlamentar foi questionado sobre o financiamento e respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”segundo relato do site. Depois, o senador riu e deixou o local.
O novo posicionamento, com a confirmação dos repasses de Vorcaro, foi divulgado após ele se reunir com integrantes e advogados da sua campanha presidencial nesta tarde para preparar a resposta sobre sua relação com Daniel Vorcaro.
Aliados e auxiliares do presidenciável tiveram reuniões no escritório político da campanha, em uma mansão no Lago Sul, em Brasília. Estratégias foram discutidas antes da divulgação de qualquer resposta pública do senador à maior crise da sua pré-candidatura até aqui.
Além de Flávio, estiveram no QG da campanha o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o coordenador e senador Rogério Marinho (PL-RN) e a advogada eleitoral Maria Claudia Bucchianeri.
Segundo a reportagem, além dos R$ 61 milhões, Flávio pediu mais dinheiro em áudio para Vorcaro.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme, né?”teria dito o senador em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado.
Isadora Albernaz e Carolina Linhares
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