O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) tentou justificar, nesta quarta-feira (13), áudio em que aparece pedindo milhões ao banqueiro preso, Daniel Vorcaro. O filho do presidente Jair Bolsonaro diz que o pedido de patrocínio é privado para uma produção privada, que é o filme Dark Horse, em homenagem ao pai.
Flávio aparece tenso na gravação e avalia que não há ilegalidade nem imoralidade no pedido de milhões a Vorcaro. Ele detalhou que conheceu Daniel no final de 2024 e que ano passado pediu ao banqueiro e a outros investidores, valores para bancar a produção cinematográfica.
”Mais do que nunca é fundamental a CPI do Banco Master”, bradou Flávio, na gravação. Ele citou a Lei Rouanet – exaltada pelo PT – para enfatizar que não teve dinheiro público em seu pedido ao agente financeiro. Ponderou que quando conheceu Daniel, já não havia mais governo Bolsonaro e também não havia nada que maculasse a imagem do banqueiro.
”Ele parou de honrar com as parcelas. E tinha um contrato, que se ele não pagar as parcelas, tinha uma grande chance do filme sequer ser veiculado’’, garantiu Flávio. Ao final, o presidenciável fez convite para o público assistir o filme Dark Horse.
O caso
Segundo o Metrópoles obteve com o The Intercept Brasil, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo revelado pelo Intercept Brasil.
Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões – mas não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro foi repassado.
Parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com a reportagem do Intercept.
Em um áudio divulgado pelo Intercept, que seria de 8 de setembro de 2025, Flávio teria dito a Vorcaro que havia preocupação com atraso nos pagamentos da produção.
”Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria declarado o senador.
”Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”’, teria afirmado.
A reportagem acionou Flávio diretamente e a assessoria do senador, mas não obteve resposta ainda.
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