quarta-feira, setembro 23, 2026

Garimpo cresce 1068% em áreas de preservação de Juruena, revela estudo internacional

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Enquanto outros estados da Amazônia Legal apresentam redução nos índices de desmatamento, Mato Grosso segue na contramão, registrando altas impulsionadas pela expansão agropecuária e, principalmente, pela mineração ilegal. O relatório do Monitoring of The Andes Amazon Program, divulgado nessa quarta-feira (5), aponta que a área afetada pelo garimpo cresceu mais de 1000% na bacia do Juruena.

O cenário mais alarmante foi identificado no Parque Nacional do Juruena. De acordo com imagens de satélite de alta resolução, a área impactada pelo garimpo saltou de 10,5 hectares em agosto de 2025 para 79,5 hectares em abril de 2026.

Esse incremento representa um crescimento de 660% em apenas oito meses. Em termos históricos, a degradação acumulada no interior desta unidade de conservação disparou de 240 hectares em 2018 para 730 hectares em junho de 2026.

A situação não é diferente no Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde a área afetada passou de 8,6 hectares para 43,7 hectares no mesmo período analisado, um aumento de 408%. Somados, o crescimento é de 1.068%.

Parque Estadual do Igarapes do Juruena foto Reproducao MAAP

Estrutura Profissional e Ilegalidade

As imagens capturadas pelo sistema SkySat revelam que não se trata de incursões pontuais, mas de uma atividade com alto grau de estruturação. O relatório identificou acampamentos fixos, vias de acesso e o uso de maquinários pesados no interior das unidades de conservação.

Quase a totalidade dessas atividades ocorre fora de qualquer concessão autorizada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o que gera uma “elevada presunção de ilegalidade”. Além disso, a legislação brasileira (Lei nº 9.985/2000) proíbe qualquer tipo de extração mineral em Unidades de Proteção Integral, permitindo apenas o uso indireto para fins como pesquisa e turismo.

Acampamentos usados em garimpos ilegais Juruena foto reproducao MAAP

Impacto ambiental e social

A bacia do Rio Juruena enfrenta um cenário crítico que vai além da derrubada de árvores. O garimpo causa, segundo o relatório, assoreamento e aumento de sedimentos nos cursos d’água e contaminação por mercúrio, que compromete a biodiversidade e a segurança alimentar das comunidades locais que dependem da pesca.

Desafios da Governança

Apesar de sucessivas operações de combate — apenas no Parque Nacional foram realizadas 15 desde 2010 —, a atividade se mostra resistente e se acentuou a partir de 2020. O relatório destaca que o atual arcabouço legal enfrenta desafios de transparência e fiscalização.

Debates recentes sobre a Lei Complementar nº 788/2024, que flexibiliza regras de reserva legal para fins de mineração em propriedades privadas, também geram preocupação sobre possíveis impactos indiretos em áreas públicas protegidas.

Para conter o avanço, o documento recomenda o fortalecimento imediato dos órgãos de controle, a adoção de plataformas integradas de dados geoespaciais e melhorias na transparência do Cadastro Mineiro, facilitando o cruzamento automático entre polígonos de mineração e áreas protegidas.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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