A GCM (Guarda Civil Metropolitana) enfrenta mais um episódio de descaso e sucateamento das condições de trabalho durante a gestão Adriane Lopes (PP) em Campo Grande. Dessa vez, os agentes denunciam a falta de fardamentos e de recursos para a realização de cursos obrigatórios.
Conforme relatos ouvidos pelo TopMídiaNews, o último fardamento disponibilizado e pago integramente pela prefeitura foi entre 2020 e 2021, época em que Marquinhos Trad (PSD) estava a frente da prefeitura. Desde então, os servidores estão há anos sem reposição adequada de uniformes.
“Estamos em uma situação precária. Guardas especializados da GEMOP (Grupo Especializado De Motopatrulhamento), Romu (Ronda Extensiva Municipal) e Ambiental, por exemplo, só têm fardamento novo porque compraram do próprio bolso. Em muitos casos, 100% do custo foi do servidor”, desabafou um guarda que não se identificou por medo de represálias.
Além disso, muitos guardas têm devolvido o armamento por não conseguirem arcar com os custos do curso anual obrigatório, já que, por falta de recursos, parte da corporação precisa manter dois ou até três empregos para complementar a renda.
“O curso de EQP (Estágio de Qualificação Profissional) abriu edital em junho/julho do ano passado, e inicialmente exigia cinco dias consecutivos para fazer, o que é inviável para quem tem um segundo trabalho”, relatou.
“Depois, reduziram para dois ou três dias, mas o dano já estava feito. Muitos guardas não fizeram o curso, desanimaram e entregaram o armamento”, complementou. A estimativa seria de pelo menos 100 guardas ou mais desarmados, que seguem o trabalho como guarda, mas precisam ser remanejados para postos fixos como escolas, praças, postos de saúde e outros. “Mas no fim, é menos guardas armados nas ruas. Não é falta de vontade, é falta de condições”, reitera.
Evasão
O último concurso para os cargos no quadro permanente da GCM foram realizados em 2021 e desde então houve uma evasão de servidores, segundo denúncias. “Guardas do último concurso ingressaram já com perfil de concurseiro. Permaneceram pouco tempo e saíram ao passar em outros concursos, devido à baixa remuneração e estagnação de carreira”, disse a fonte.
Os salários e a defasagem é outro ponto apontado. Segundo o denunciante, não há reposição inflacionária, periculosidade não incorporada e a lei previa um aumento de 40% para inspetores de 3ª classe, mas a prefeitura só realizou o pagamento de 20%, sem nenhuma explicação.
“Alimentação, benefícios e carreira totalmente estagnados. Isso gera desmotivação, evasão e priorização do segundo trabalho”, disse. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para apurar o caso e espera manifestação. O espaço segue aberto.
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