O ex-secretário de Obras e ex-deputado federal Edson Giroto (PL) foi absolvido mais uma vez em processo da Operação Lama Asfáltica. A sentença, assinada em 27 de maio pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos de Campo Grande, julgou improcedente a ação de improbidade administrativa que investigava o desvio de R$ 5,1 milhões na recuperação da rodovia MS-357, em Ribas do Rio Pardo.
É a quinta absolvição de Giroto nos processos da operação. Ao lado dele, mais seis réus foram inocentados na mesma ação, incluindo a ex-diretora da AGESUL Maria Wilma Casanova Rosa e o ex-coordenador João Afif Jorge.
Apesar da absolvição, o magistrado registrou na própria sentença uma interceptação telefônica em que Giroto admitiu, em conversa com o réu Rômulo Tadeu Menossi, ter “cuidado dos outros” e “feito as obras” do interesse da empresa Proteco Construções Ltda. “a vida inteira”. O juiz ainda reconheceu a existência de “um intrincado esquema de tráfico de influência” do qual Giroto fazia parte.
O livramento judicial, porém, é técnico: para condenar por improbidade, a nova lei exige que o dolo específico seja comprovado dentro do contrato investigado em cada ação. Como as provas não amarravam Giroto diretamente ao desvio da MS-357, o pedido do MP foi julgado improcedente em relação a ele.
Os condenados
Seis pessoas foram condenadas na mesma sentença. Wilson Roberto Mariano de Oliveira, assessor especial da AGESUL, perdeu a função pública e a aposentadoria, teve os direitos políticos suspensos por seis anos e foi multado em R$ 775.299,81.
Ainda segundo a decisão, José Carlos Martos, fiscal da obra, recebeu suspensão dos direitos políticos por quatro anos e multa de R$ 516.666,54. Rômulo Tadeu Menossi, principal interlocutor da Proteco junto ao governo, também foi penalizado com seis anos de suspensão dos direitos políticos e multa de R$ 775.299,81.
Os donos da Proteco — João Alberto Krampe Amorim dos Santos e Elza Cristina Araújo dos Santos — foram condenados solidariamente com a empresa a devolver os R$ 5.168.665,41 desviados ao erário, mais multa civil de R$ 1.550.599,62 cada, suspensão dos direitos políticos por oito anos e proibição de contratar com o poder público no estado por dez anos.
Histórico
Em 2022, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande absolveu Giroto das acusações de peculato e falsidade ideológica na ação sobre a MS-184, no Pantanal de Corumbá. Em abril deste ano, o TJMS manteve sua absolvição também no processo criminal da própria MS-357. Em setembro de 2025, foi inocentado em ação de improbidade sobre obras do Bioparque Pantanal. Em novembro de 2025, escapou de mais uma ação de improbidade da operação, julgada junto com Maria Wilma Casanova Rosa.
O histórico de absolvições não apaga uma condenação que Giroto carrega: em processo sobre a rodovia MS-228, na região de Corumbá, ele foi condenado por enriquecimento ilícito, com perda dos direitos políticos por dez anos e proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período, o que o torna formalmente inelegível enquanto o recurso tramita.
Na esfera criminal, ele também foi condenado a nove anos, dez meses e três dias de prisão por ocultar recursos usados na compra da fazenda Encantado Rio Verde, avaliada em R$ 7,63 milhões. Mesmo assim, Giroto já anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026.
A defesa do ex-deputado não havia se manifestado sobre a decisão desta semana até a publicação desta reportagem.

