O Governo de Mato Grosso do Sul exonerou o engenheiro Rudi Fiorese do cargo de diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). A medida administrativa foi confirmada na manhã desta terça-feira (12), após Fiorese ser alvo de uma operação que investiga supostas fraudes em contratos públicos de tapa-buraco em Campo Grande.
Em nota oficial, a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística), pasta à qual a Agesul é vinculada, informou que tomou conhecimento das ações policiais e ressaltou que as apurações não envolvem o governo estadual. Segundo a secretaria, o envolvimento do agora ex-diretor-presidente figura exclusivamente devido à sua atuação em gestões anteriores na Sisep (Secretaria de Obras do Município de Campo Grande).
“A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor”, destacou o comunicado oficial.
A Operação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (12), a Operação “Buraco Sem Fim”, tendo como objetivo o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão.
Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas em Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
Segundo o Ministério Público, as evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada recebe, em contratos e aditivos, R$ 113.702.491,02.
A investigação é realizada em conjunto pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.

