domingo, novembro 1, 2026

Governo Kast retira apoio do Chile para que Michelle Bachelet lidere a ONU

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A candidatura era conjunta do Brasil e do México e estava sendo impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo antecessor de Kast, o esquerdista Gabriel Boric.

“Concluímos que o contexto desta eleição, a fragmentação das candidaturas de países latino-americanos e nossas divergências com alguns dos principais atores que moldam este processo tornam esta candidatura e seu potencial sucesso inviáveis”, diz nota da Presidência chilena.

“Juntamente com a retirada do apoio do Chile, o Ministério das Relações Exteriores e as embaixadas que nos representam no exterior cessarão a participação nos esforços de promoção desta candidatura”, segue o texto do governo Kast, que teve início em 11 de março.

Entretanto, o governo do ultradireitista afirmou que, considerando o histórico de Bachelet, e caso ela decida prosseguir com sua candidatura, o país se absterá de apoiar outro candidato.

Em fevereiro, o presidente Lula manifestou apoio à candidatura da ex-presidente chilena, reforçando que o órgão vive um momento de fragilidade quanto ao papel de mediação de conflitos internacionais desde a criação do Conselho de Paz de Donald Trump.

“Em oito décadas de história, é hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, escreveu o petista em sua conta no X (antigo Twitter).

“A nomeação de Michelle Bachelet representa uma oportunidade para oferecer à ONU uma liderança com experiência comprovada, legitimidade internacional e vocação para o serviço público”, disse o texto de fevereiro, em que Chile, Brasil e México apresentaram formalmente às Nações Unidas a candidatura dela.

Eleita para comandar o Chile em duas ocasiões (2006-2010 e 2014-2018), ela foi a primeira mulher a ocupar a Presidência, em uma coalização de esquerda, rival dos partidos que apoiam Kast. Também atuou como ministra da Saúde e da Defesa do país.

Pediatra de 74 anos, ela assumiu em 2018 o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, sendo a sétima pessoa a ocupar essa função, até 2022.

Em seu discurso na Assembleia Geral do ano passado, Boric lembrou que, em 80 anos de história, nenhuma mulher ocupou o posto. “O Chile quer contribuir ativamente para esse esforço coletivo.”

“Michelle Bachelet governou, negociou, solucionou e ouviu. Sua trajetória de vida combina empatia com firmeza, experiência com abertura e todas essas características com a capacidade executiva de decidir”, continuou o chileno.

Até o final do ano, a ONU precisará escolher um novo secretário-geral para substituir o português António Guterres, e a seleção precisa passar pelo Conselho de Segurança, onde cinco países têm poder de veto.

Outro candidato ao cargo é o diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o argentino Rafael Grossi. À Folha de S.Paulo, ele afirmou que as Nações Unidas precisam de “menos gordura e mais músculo”, defendendo cortes e a consolidação de mandatos. Grossi tem o apoio do presidente da Argentina, Javier Milei.

O diretor da AIEA expressou tristeza pelo Brasil ter escolhido apoiar Bachelet, mas espera que o apoio do país possa mudar no futuro.

Leia Também: Tragédia na Air Canada: corpos de piloto e copiloto são identificados

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