domingo, setembro 13, 2026

Governo Trump propõe que Brasil receba estrangeiros capturados nos EUA

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A cooperação seria o grande anúncio da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao americano Donald Trump. O encontro estava programado para março, mas só deve sair em abril.

Os EUA também querem que o Brasil apresente um plano para acabar com o PCC, o Comando Vermelho, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro, segundo um alto funcionário americano informou à Folha.

O governo Trump pede ainda que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros buscando refúgio e refugiados no país. Isso seria parte de medidas para combater a criminalidade transnacional e bloquear a imigração em massa passando por portos e fronteiras brasileiros.

As demandas americanas são uma contraproposta ao plano de cooperação apresentado pelo presidente Lula em telefonema a Trump no ano passado -que também selou a trégua das tensões entre os dois países em decorrência do tarifaço.

O Brasil havia proposto um plano de combate ao crime transnacional com quatro pontos principais. Um deles era cooperação para combater a lavagem de dinheiro, mirando criminosos brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada no estado de Delaware, espécie de paraíso fiscal nos EUA.

A proposta também incluía o bloqueio de ativos nos EUA provenientes de recursos ilícitos de brasileiros que cometeram crimes no Brasil, com aumento de cooperação entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service; a colaboração entre autoridades alfandegárias, com aperto da fiscalização no tráfico de armas que abastecem facções como CV e PCC; e intensificar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.

As demandas americanas não foram aceitas pela gestão Lula, que está em processo de negociação com as autoridades dos EUA. Os funcionários dos dois governos correm contra o tempo para fechar uma proposta aceitável aos dois países para ser apresentada pelos dois presidentes na visita a Washington.

O governo brasileiro tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas. De acordo com reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.

Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Desde segunda-feira (9), o presidente se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana. O governo ainda teme a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.

Como a Folha mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações.

Lula informou que o governo brasileiro decidiu revogar o visto de um assessor do chefe de Estado norte-americano em reciprocidade ao cancelamento de vistos de autoridades brasileiras nos Estados Unidos

Rafael Damas | 14h12 – 13/03/2026

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