domingo, novembro 1, 2026

Groenlândia reage a ameaça dos EUA e orienta população a se preparar

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Ó governo da Groenlândia passou a adotar um discurso de alerta máximo diante da escalada de tensão com os Estados Unidos. Nesta terça-feira (20), o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen afirmou que a população deve começar a se preparar para cenários extremos, incluindo uma eventual ação militar contra o território.

Durante uma coletiva de imprensa, Nielsen disse que o Executivo criou um grupo de trabalho encarregado de orientar os moradores sobre medidas básicas de autoproteção. Entre elas, estão recomendações como manter reservas de alimentos e seguir instruções que serão divulgadas em materiais informativos preparados pelo governo.

Segundo o premiê, declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, indicam que a possibilidade de uso da força não foi descartada. “Quando um chefe de Estado afirma publicamente que essa opção está em aberto, não podemos agir como se fosse impossível”, afirmou.

Apesar de considerar um conflito armado improvável, Nielsen deixou claro que a hipótese não será ignorada. Ele lembrou que a Groenlândia integra a Otan e que qualquer escalada teria repercussões internacionais. “Uma crise desse tipo não se limitaria à ilha. As consequências seriam globais”, disse.

No mesmo dia, Trump voltou a afirmar que não pretende abandonar o objetivo de assumir o controle da Groenlândia e evitou afastar explicitamente a possibilidade de uma ação militar para garantir o domínio do território ártico.

Clima de alerta na Europa

A reação europeia também se intensificou. Em Copenhague, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou ao Parlamento que o cenário tende a se agravar. Para ela, a crise atual representa um momento particularmente delicado da política internacional e pode evoluir para uma fase ainda mais crítica.

A Groenlândia, embora autônoma, está sob soberania dinamarquesa e faz parte da estrutura de segurança da Otan. A insistência de Trump em anexar o território ameaça desestabilizar alianças que sustentam a segurança do Ocidente há décadas.

Desde o início de seu segundo mandato, o presidente americano classifica a ilha como estratégica para a defesa dos Estados Unidos, especialmente por seu papel em um futuro sistema antimísseis conhecido como Domo de Ouro.

Diante do aumento da tensão, países como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia iniciaram o envio de tropas à Groenlândia e planejam exercícios militares no território, em um esforço coordenado de demonstração de apoio à Dinamarca e à aliança atlântica.

Em Davos, presidente francês faz críticas indiretas a Trump, rejeita ameaças tarifárias, defende uma Europa mais forte e protecionista e afirma que aliados devem priorizar o multilateralismo e o respeito, em meio às tensões sobre Groenlândia, Gaza e comércio internacional.

Folhapress | 13:30 – 20/01/2026

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