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Grupo morto em confronto era suspeito de atentados na guerra por território em MS

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O confronto policial que terminou na morte de quatro criminosos em Sidrolândia, na tarde dessa sexta-feira (9), expôs mais uma vez a disputa territorial entre facções criminosas em Mato Grosso do Sul. A intervenção ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão no âmbito da Operação Protetor, do Ministério da Justiça.

Os detalhes da ação policial foram repassados neste sábado (10), pelo major Cleyton da Silva Santos, comandante do Batalhão de Choque.

Segundo o comandante, os suspeitos – identificados como Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, Jonas Gabriel de Sales e dois adolescentes, de 17 e 16 anos – eram monitorados há meses por envolvimento em atentados em diferentes cidades do estado.

“Eles chegavam à cidade de uma forma muito bem estruturada, chegavam na cidade, locavam uma casa naquela cidade, realizavam o atentado e ficavam nessa casa. […] Eles realizavam atentado naquele tipo de localidade, como foi em Maracaju, como foi em Sidrolândia, como foi em Campo Grande, como foi em Cassilândia. E iam migrando de uma cidade para outra. A gente veio monitorando eles durante um bom tempo. Só que essa questão da migração acabava dificultando a nossa atuação.”

Vanessa era a responsável por toda a logística e organização do grupo. De acordo com o comandante, para garantir as “bases operacionais” sem levantar suspeitas e transmitir maior credibilidade aos proprietários no momento do aluguel, a mulher e outro integrante do grupo simulavam ser um casal.

A casa onde a quadrilha se escondia em Sidrolândia, por exemplo, era de responsabilidade dela. Além disso, Vanessa organizava todo o cenário dos ataques, dava suporte logístico e cuidava da gestão dos armamentos.

Apesar da dificuldade em rastrear o grupo, as equipes policiais conseguiram chegar ao endereço alugado por eles em Sidrolândia. Todas as informações apuradas pela Polícia Civil foram repassadas aos policiais do Choque, que foram até o local na tarde dessa sexta-feira.

Ao chegarem ao endereço, os policiais foram recebidos por um indivíduo armado no quintal do imóvel. Mesmo após a voz de abordagem, o suspeito apontou a arma contra a equipe e foi baleado pelos agentes no portão. Na sequência, conforme a equipe entrava na residência, outros três suspeitos confrontaram os policiais sucessivamente na sala e em dois quartos.

Durante a ação, os suspeitos efetuaram diversos disparos contra os agentes, de acordo com o comandante, sendo que, pelo menos, sete tiros atingiram o escudo balístico utilizado pela equipe. Nenhum policial ficou ferido. Os quatro suspeitos foram socorridos ainda com vida e levados ao hospital local com auxílio da Força Tática e do Garras, mas não resistiram aos ferimentos.

confronto choque sidrolandia 1

Armamentos e perfil dos suspeitos

No local, as equipes apreenderam quatro armas de fogo: dois revólveres calibre .32, um calibre .38 e uma pistola. Uma motocicleta furtada, pintada e utilizada em atentados anteriores também foi recolhida.

As investigações e provas encontradas no local apontam que o suspeitos atuavam pelo Comando Vermelho.

Enquanto Vanessa era a responsável por organizar o grupo, os outros envolvidos eram executores. Jonas possuía histórico criminal por homicídio e aparecia em vídeos com arma em punho, enquanto fazia ameaças contra pessoas envolvidas com a facção rival.

Um dos adolescentes, identificado apenas como Miguel, ostentava armas em redes sociais e era investigado por homicídios em Cassilândia e em Campo Grande, além de ser acusado de ter causado um incêndio criminoso em uma residência onde uma família com sete crianças perdeu todos os seus pertences.

confronto choque sidrolandia 2

A guerra por rotas e territórios

Conforme o comandante do Choque, os atentados cometidos pelo grupo estão diretamente associados à disputa de grupos criminosos pelo controle das rotas estratégicas do tráfico de drogas, armas e contrabando em Mato Grosso do Sul.

Devido à geografia do estado, o escoamento de cargas ilícitas em direção a Mato Grosso ou São Paulo exige a passagem por municípios-chave como Ponta Porã, Maracaju, Dourados, Sidrolândia, Coxim e Sonora.

“O nosso estado, geograficamente, é muito estratégico. Então, hoje os grupos criminosos têm tido essa guerra, essa disputa territorial para ter o domínio dessa rota. Hoje, com a criação da rota transplantaneira, acaba sendo ainda mais palpável para o crime que ele tenha controle sobre essa rota. E as cidades ali que a gente tem trabalhado para que isso não aconteça são Sidrolândia, Maracaju, Coxim; são cidades que são estratégicas para o crime.”

Confrontos decorrentes dessa mesma guerra territorial foram registrados recentemente em cidades como Ivinhema e na região de Coxim. Embora imagens com siglas de facções tenham circulado, a investigação sobre a vinculação formal dos suspeitos a organizações como o Comando Vermelho está a cargo da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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