Kenneth Windley esteve preso durante quase 20 anos por supostamente roubar 500 dólares em 2005. Na segunda-feira, após uma revisão do caso, o tribunal declarou que o homem, afinal, era inocente – tal como dizia ser há duas décadas.
Windley foi preso em 2005 depois de comprar um fogão para sua mãe com um voucher que, descobriu-se, havia sido roubado. Desde o primeiro momento, o norte-americano tinha garantido que não tinha cometido o crime e que tinha comprado o vale de 542,77 dólares (, que estava em desconto, de uns conhecidos, que tinham assegurado que o vale estava válido, mas que eles não o podiam usar por razões burocráticas.
“Ele foi enganado”, argumentou o advogado de Windley, David Shanies, durante a audiência na segunda-feira, citado pela Imprensa Associada.
O vale, de fato, tinha sido roubado, mas não por por Windley. Pertencia a Gerald Ross, na época com 70 anos, que regularmente sacava os cheques para pagar o aluguel e os pagamentos do seu seguro de vida em um posto de correios em Brooklyn, nos Estados Unidos. Foi em uma dessas viagens, já de volta para casa, que o homem foi seguido por dois assaltantes.
Os ladrões agarraram-nos por trás, e prenderam-no com um braço ao redor do seu pescoço, roubando-lhe os vales, o dinheiro e o livro de cheques que tinha com ele.
Ross reportou o crime à polícia que aproveitou o fato de o homem receber vales do Estado para seguir o seu rastro (dado que cada um está identificado e registrado). Não demorou até encontrarem o vale usado por Windley que, na compra do fogão, tinha fornecido o seu nome, a carteira de motorista e o endereço onde vivia.
O americano foi preso e, posteriormente, identificado pela vítima, tanto em fotografias quanto depois ao vivo. As identificações, veja bem, foram feitas seis semanas ou mais depois que o crime aconteceu.
Desde o início, Windley disse aos promotores o que sabia sobre os dois homens que lhe venderam o voucher, incluindo seus nomes legais e sobrenomes pelos quais eram conhecidos. Durante o julgamento, ele reiterou a mesma história, mas o júri não acreditou em sua versão dos eventos e acabou condenando-o entre 20 anos a prisão perpétua. Os recursos subsequentes falharam.
Após a condenação, um amigo de Windley e um investigador particular conseguiram encontrar os verdadeiros culpados e os persuadiram a admitir o que realmente havia acontecido. Em depoimentos sob juramento e, posteriormente, em entrevistas com representantes da promotoria, os dois homens acabaram admitindo que haviam assaltado Ross e que Windley não estava envolvido no crime.
O “Suspeito 1” e o “Suspeito 2”, como estão identificados no relatório da procuradoria norte-americana sobre o caso, estão ambos na prisão por crimes cometidos contra pessoas com idades a partir dos 60 anos, que foram seguidas de bancos ou escritórios de levantamento de cheques, no Brooklyn, entre 2005 e 2006.
“Me custou 20 anos, mas eles corrigiram a situação agora. É tudo o que importa. Estou bem com isso”, admitiu Windley, após o julgamento.
À saída do tribunal, depois de o seu caso ser arquivado, Windley, hoje com 61 anos, não se mostrou triste pelos anos perdidos ou pela injustiça, apenas feliz por agora poder reunir-se de novo com a família: “Vou simplesmente seguir em frente”.
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