O IMADI (Instituto Madre de Dio), responsável pela gestão do Hospital Municipal Francisca Ortega, em Nova Alvorada do Sul, a 117 quilômetros de Campo Grande, emitiu nota oficial após a morte de um bebê de 33 semanas durante um parto forçado na unidade, segundo a família, o que gerou um boletim de ocorrência por negligência.
Conforme a nota, o instituto e o hospital disseram que assim que souberam do ocorrido determinaram a apuração imediata e rigorosa do caso, adotando medidas internas para o esclarecimento da ocorrência. A unidade afirmou que estão sendo analisados registros, prontuários, fluxos de comunicação e protocolos referentes ao atendimento.
“As instituições reafirmam que atuam com seriedade, responsabilidade e absoluto compromisso com a segurança assistencial, a ética profissional e a transparência. Também se colocam à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborando integralmente com a apuração dos fatos”, disse a nota.
O hospital ainda reiterou que, em respeito ao sigilo médico, à privacidade dos envolvidos e a necessidade de preservação da apuração, detalhes clínicos sobre o caso não serão divulgados. Eles ainda prestaram condolências aos envolvidos.
“O Hospital e o Instituto Madre de Dio manifestam sua solidariedade à paciente e aos familiares e reiteram que, uma vez concluída a análise interna, serão adotadas todas as providências que se mostrarem pertinentes. Eventuais manifestações públicas adicionais ocorrerão exclusivamente pelos canais oficiais das instituições”.
O caso
Uma gestante de 24 anos, perdeu o bebê durante o parto no município de Nova Alvorada do Sul, a 117 quilômetros de Campo Grande. Ela teria sido submetida a um parto normal a força e o bebê de 33 semana não resistiu ao uso do fórceps. Com a perca do bebê, a família aponta que houve negligência médica, e registrou o caso junto a Polícia Civil.
A gestante, com aproximadamente 33 semanas e uma gravidez de risco, deu entrada no Hospital Municipal Francisca Ortega, em Nova Alvorada do Sul, por volta das 17h da quarta-feira (8) e permaneceu no hospital até aproximadamente meia-noite, período em que houve tentativa de parto normal, sem êxito, segundo informações do portal Alvorada Informa.
A unidade não possui anestesista nem pediatra, tendo como referência o município de Campo Grande para procedimentos de maior risco. Segundo informações, foram realizadas diversas manobras, inclusive o procedimento conhecido como “Kristeller”, com emprego de força, o que teria ocasionado lesões como edemas, hematomas e escoriações na região vaginal da paciente, além do uso de fórceps, aparelho utilizado para auxiliar a saída do feto por meio de força aplicada sobre a cabeça.
Conforme o boletim de ocorrência, por volta das 00h27, o diretor clínico da unidade de Nova Alvorada entrou em contato com a equipe de Rio Brilhante, informando que a gestante seria encaminhada para aquele município, apesar de a referência adequada ser Campo Grande, e sem regulação prévia pelo sistema competente. Logo em seguida, por volta das 00h30, a equipe de Nova Alvorada chegou ao hospital local.
A gestante chegou ao hospital acompanhada por uma equipe composta por médica obstetra e uma técnica de enfermagem, que adentraram diretamente o centro cirúrgico alegando situação de emergência, sem comunicação prévia.
Devido à ausência de preparo da equipe local e aos trâmites não observados, houve divergência entre as equipes. Segundo relato, as profissionais alegaram omissão de socorro e mencionaram acionamento policial, gerando tumulto no ambiente hospitalar.
A criança, que já apresentava sofrimento fetal ao nascer, precisou ser entubada, mas infelizmente não resistiu e veio a óbito às 04h00.


