O Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) recebeu a aprovação da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) para a abertura do primeiro biobanco público de CTM (células-tronco mesenquimais). A autorização de funcionamento ocorreu na atual etapa do processo de avaliação da proposta. A estrutura de coleta e armazenamento fica sediada em Campo Grande.
A unidade disponibilizará amostras biológicas com fluxo regulado para trabalhos chancelados por comitês de pesquisa em seres humanos. As células armazenadas não possuem uma função específica inicial, mas podem ser localizadas em tecidos já especializados, como gordura, cordão umbilical e polpa de dente de leite.
A bióloga responsável técnica do espaço e chefe da Unidade de Gestão da Pesquisa do hospital, Thais Farias, detalhou o comportamento biológico do material. “Elas apresentam a capacidade de se transformarem em outras células quando atingem um tecido doente, além de regular o sistema imunológico em locais de inflamação”, explicou.
Essas propriedades ampliam o escopo das investigações para a medicina regenerativa e para o tratamento de artrites, diabetes e doenças neurológicas. O espaço armazenará ainda porções de sangue, soro e plasma. As linhas de estudo mais promissoras abrangem cardiologia, neurologia e infectologia.
A captação do material utilizará a polpa de dentes de leite e o cordão umbilical das próprias pacientes da maternidade do hospital. A equipe do laboratório identificará as cesáreas eletivas e fará o convite às gestantes nos momentos anteriores ao parto.
O método não trará intervenções cirúrgicas extras para as parturientes. “Nenhum novo procedimento é realizado para a coleta das amostras. Elas são coletadas durante a realização do procedimento assistencial a que a paciente já será submetida”, esclareceu Thais.
O processamento e a criopreservação acontecerão em laboratório equipado para controle de partículas e prevenção de contaminação microbiológica. Um sistema de registro próprio assegurará a rastreabilidade completa das unidades biológicas e a localização exata nos equipamentos.
A liberação das amostras dependerá do aval de três instâncias distintas: o Comitê Gestor do Biobanco, o Colegiado Executivo do Humap-UFMS e o Comitê de Ética. “Somente após todas as aprovações é que o pesquisador pode agendar a retirada das amostras”, disse a responsável técnica.
O fornecimento atende às demandas da pesquisa translacional nas ciências da saúde. “A pesquisa translacional depende da capacidade de transformar o conhecimento produzido em laboratório em produtos que beneficiem os pacientes, e isso exige acesso a material biológico de qualidade, rastreável e obtido seguindo critérios éticos e de qualidade rigorosos”, destacou a bióloga.
Para os profissionais envolvidos, o projeto sinaliza um avanço tecnológico nas instituições de estado. “O biobanco do Humap-UFMS mostra que é possível desenvolver pesquisa de ponta e inovação tecnológica no âmbito do SUS e em instituições públicas, mantendo a responsabilidade ética e o compromisso social”, afirmou Thais.
A direção do hospital universitário aguarda a entrega dos insumos necessários para começar as captações. A previsão de início dos procedimentos varia entre três e quatro meses.

