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Irã ataca navios no golfo e fala em barril de petróleo a US$ 200

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“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari. O referencial barril Brent está flutuando acima de US$ 90, depois de ter batido quase US$ 120.

Na véspera, os EUA haviam anunciado ter afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região. O objetivo, disse o Pentágono, foi o de evitar que eles operassem agora que o grosso da Marinha de Teerã está inutilizado. Segundo relatos de militares, ao menos 12 minas chegaram a ser espalhadas.

Pela estreita rota passam, normalmente, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta, o que levou a variações brutais no preço das commodities. O Irã militarizou o estreito, distribuindo ao menos 16 bases na sua costa norte e ilhas, e os EUA atacaram ao menos 10 desses pontos segundo imagens de satélite.

Nesta quarta, um dos cinco cargueiros atingidos, de bandeira tailandesa, teve de ser evacuado devido a um incêndio a bordo perto de Omã -que registrou também um ataque com drone Shahed-136 que atingiu tanques de combustível. Os outros dois incidentes foram menos graves, e os navios foram levados para portos dos Emirados Árabes Unidos.

Os iranianos disseram que o navio tailandês ignorou avisos e assumiram um segundo ataque, sem comentar o terceiro. Além disso, dois petroleiros carregando óleo do Iraque foram alvejados e pegaram fogo, segundo Bagdá. Cerca de 25 tripulantes foram retirados das embarcações.

Os Emirados são o país mais atingido, em volume de ataques do Irã, na guerra. Também nesta quarta, ao menos quatro pessoas ficaram feridas durante uma ação com drones junto ao aeroporto de Dubai, que opera de forma parcial.

No Bahrein, o aeroporto internacional também foi alvo de ações. O reino foi particularmente atingido por abrigar a estação naval da Quinta Frota dos EUA, que teve um radar avaliado em US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) destruído no começo da guerra, em 28 de fevereiro.

Com isso, sob forte pressão militar dos EUA e de Israel, o Irã muda o foco para o maior temor global em relação à guerra, a instabilidade no comércio de energia. Se não pode derrotar as forças mobilizadas contra si, Teerã tem vários recursos para causar caos neste setor.

Após o Brent chegar a quase US$ 120 na segunda (9), falas do presidente Donald Trump dando a entender que o conflito será curto o levaram a níveis em torno de US$ 90, mas com forte oscilação.

Nesta quarta, tanto Israel quanto o Irã foram na mão contrária do americano. O ministro Israel Katz (Defesa) disse que o conflito irá continuar “sem qualquer limite de tempo”, enquanto a poderosa Guarda Revolucionária do regime de Teerã reafirmou que lutará “até a sombra a guerra ser levantada”.

Alvo de ataques na noite de terça (10), a Arábia Saudita está especialmente preocupada, já que 90% de sua produção é escoada por Hormuz. Segundo a estatal Saudi Aramco, o prolongamento do conflito pode levar a uma “tragédia”, enquanto o país tenta ampliar o funcionamento de oleodutos rumo ao mar Vermelho.

Os EUA parecem atentos a esse ponto, talvez de olho na hipótese hoje improvável de uma acomodação com o Irã após a guerra. Até aqui, nem os americanos, nem os israelenses atacaram a ilha de Kargh, que concentra a infraestrutura para exportar de 80% a 90% do petróleo iraniano no golfo.

Entra na equação a pressão da China, com quem Trump trava duras negociações comerciais. Pequim comprou em 2025 quase 15% de seu petróleo, a preço com desconto, de Teerã. A destruição dos terminais de escoamento da commodity impactaria duramente a economia dos rivais, dando assim uma carta a mais para os americanos.

A madrugada e a manhã seguiram violentas do lado de quem começou a guerra. Os EUA promoveram diversos ataques, alguns com bombardeiros saídos de bases antes vetadas para seu uso no Reino Unido, mirando principalmente a infraestrutura de mísseis balísticos do Irã.

Nesta quarta, modelos B-1B em Fairford (Inglaterra) tiveram seus sistemas de lançamento de mísseis removidos e substituídos por bombas de ataque direto contra bunkers, o que pressupõe ações mais precisas e confiança no controle do espaço aéreo. A troca foi feita junto à cerca da base, para quem quisesse filmar.

Os ataques ao país persa já deixaram, segundo o governo, mais de 1.300 mortos. O Crescente Vermelho, órgão humanitário análogo da Cruz Vermelha em países islâmicos, disse nesta quarta que 19.734 edifícios civis foram danificados no Irã, incluindo 77 centros médicos e 65 escolas.

Já Israel fez uma nova onda de ataques a Teerã e a posições do grupo libanês Hezbollah em Beirute. O Hezbollah, aliado da teocracia iraniana, lançou ataques contra o norte e centro do Estado judeu.

Ao menos 630 pessoas já morreram no país árabe, cujo governo viu sua tentativa de mediar o conflito entre os fundamentalistas xiitas e o Estado judeu fracassar.

No começo da noite, o Hezbollah reagiu com a maior barragem até aqui de foguetes, cerca de cem projéteis, disparados contra a região de Haifa, no norte israelense. O céu ficou iluminado com os rastros e as interceptações do sistema Domo de Ferro, que não conseguiu atingir ao menos 12 projeteis segundo a mídia local.

Leia Também: Pentágono diz que 6 dias de guerra já custaram bilhões aos EUA, diz jornal

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