quinta-feira, setembro 24, 2026

João fazia exigências antes de matar a esposa: ‘queria chegar em casa e tomar bolo e café quentinho’

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O julgamento de João Augusto Borges de Almeida, acusado de matar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros e a filha do casal, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses, começou nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, com depoimentos marcados por relatos sobre o comportamento controlador do réu dentro da relação.

A primeira testemunha ouvida foi a irmã mais velha de Vanessa e tia da bebê, Wesla Kenia Lima Eugenia Prado. Em depoimento, ela afirmou que João costumava exigir que, ao chegar em casa, fosse recebido com “bolo e café quentinho”, apesar de Vanessa não saber cozinhar. Segundo a testemunha, a jovem fazia esforço para aprender e agradar o companheiro.

De acordo com o relato, o relacionamento durou cerca de dois anos e, no início, parecia normal para a família. Vanessa engravidou após três meses de namoro e, segundo a irmã, João aparentava felicidade com a notícia e era receptivo com os familiares da companheira. “Ela acreditava que tinha encontrado o amor da vida dela”, afirmou a testemunha durante o júri.

A irmã também contou que o casal teve uma “briga feia” meses antes do crime, quando João teria manifestado interesse em se separar para ficar com outra mulher.

Durante o depoimento, a defesa tentou questionar a dinâmica da relação e fez perguntas sobre a liberdade de Vanessa, uso de redes sociais e até sobre um suposto perfil da vítima em uma plataforma adulta. A testemunha afirmou que desconhecia qualquer problema do acusado relacionado a isso.

O Conselho de Sentença foi formado por sete jurados, sendo três mulheres e quatro homens.

Antes do início da sessão, o advogado Renato Franco afirmou que a defesa não pretende negar os assassinatos, mas trabalhar para afastar o que chamou de “excessos acusatórios” e tentar reduzir a pena do réu. Segundo ele, João colaborou com a investigação desde o início e confessou o crime espontaneamente.

A defesa também voltou a mencionar um pedido de exame de insanidade mental feito durante o processo. No entanto, conforme sustentado pelo Ministério Público, não foram encontrados indícios de doença mental ou incapacidade que justificassem inimputabilidade. A promotoria classificou o pedido como meramente protelatório.

João responde por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a denúncia, ele matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e depois esganou a filha do casal. Em seguida, colocou os corpos no carro, comprou gasolina e ateou fogo em mãe e filha em uma área afastada do Bairro Nova Campo Grande, em maio de 2025.

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