O julgamento do ex-vereador por Cuiabá e tenente-coronel Marcos Paccola, acusado de matar o policial penal Alexandre Miyagawa, de 41 anos, foi adiado pela segunda vez. O Tribunal do Júri, que estava marcado para 22 de outubro, agora será realizado em 17 de novembro, às 9h, no Fórum de Cuiabá.
A mudança ocorreu após o novo advogado de Paccola, Cláudio Dalledone, informar à Justiça que já tinha outro júri marcado para a mesma data, no Rio de Janeiro. Segundo a defesa, esse compromisso havia sido agendado mais de cinco meses antes e tornaria impossível a participação do advogado nos dois julgamentos. O pedido foi aceito pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira nesta quinta-feira (17).
Alexandre, conhecido como ‘Japão’, foi morto em uma rua com três tiros de arma de fogo nas costas, na noite de 1º de julho de 2022, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Quatro anos após a morte o julgamento foi marcado pela Justiça.
Em julho deste ano decisão agendou para o dia 27 de agosto a sessão do Tribunal do Júri. Contudo, dois dias antes da data prevista para o ato ocorrer, a sessão foi adiada pela Justiça após o advogado do réu, Ricardo Monteiro, deixar a defesa.
Com isso, o julgamento foi reagendado para o dia 22 de outubro deste ano. Após algumas semanas, quem assumiu a defesa do militar foi o advogado Cláudio Dalledone.
Na última segunda-feira (14), o novo defensor pediu a Justiça a redesignação da sessão plenária, em razão de seu impedimento para comparecimento na data agendada.
Advogado cita conflito de datas de dois júris
Na petição apresentada à Justiça, Dalledone argumenta que deve comparecer como advogado de defesa em Júri na 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, em defesa de outro cliente.
“A fixação da pauta fluminense, portanto, antecede em mais de cinco meses a designação da sessão de Marcos Paccola. A realização dos dois julgamentos, em comarcas distantes e horários incompatíveis, impede a presença do mesmo defensor em ambos”, argumenta Dalledone.
O pedido foi aceito e o julgamento remarcado para o dia 17 de novembro deste ano, às 9 horas, no fórum de Cuiabá.
Defensor destaca conflito com juíza
Além de pedir a redesignação da data do júri, o advogado também pediu a suspeição, ou seja, o afastamento da magistrada do caso Paccola para atuar no julgamento. O pedido decorre de um conflito que possuía com a juíza Mônica Catarina Perri, que se deu em outro júri, em 2025.
Dalledone acredita que o caso pode ter repercussão sobre a sua atuação em favor de Paccola.

O conflito em questão ocorreu no julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, dentro de uma conveniência em um posto de combustíveis de Cuiabá.
O júri, que havia sido marcado para dia 15 de dezembro de 2025, chegou a ocorrer, porém, foi suspenso após um desentendimento entre a magistrada e advogados do réu. Um bate-boca culminou na declaração da magistrada “que se dane a OAB”.
Um tumulto iniciou e um dos advogados exclamou: “manda me prender excelência”.
A sessão foi suspensa e posteriormente anulada. Nova data foi redesignada e Mário Wilson julgado. Ele foi condenado a dois anos de detenção em regime aberto por homicídio culposo.

Até o momento, o pedido de suspeição da magistrada para deixar o julgamento de Paccola ainda não foi analisado.
Confusão no trânsito e tiros
Segundo a denúncia do Ministério Público (MPMT), Marcos Eduardo Ticianel Paccola matou Alexandre Miyagawa de Barros na noite de 1º de julho de 2022, em frente a um imóvel na Rua Presidente Arthur Bernardes, no bairro Quilombo, em Cuiabá.
Conforme a acusação, Alexandre estava com a companheira, Janaína Maria Santos Cícero de Sá Caldas, que teria entrado na rua em alta velocidade e na contramão, iniciado uma discussão com pessoas que estavam no local e incentivado o companheiro a sacar a arma que portava.

O Ministério Público afirma, no entanto, que Alexandre não apontou a arma para ninguém nem agrediu qualquer pessoa. Ainda segundo a denúncia, Paccola parou o veículo ao perceber a confusão, foi informado de que havia um homem armado e se aproximou da vítima já com a arma em punho.
O órgão ministerial sustenta que o então vereador agiu por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Alexandre caminhava na direção da companheira, quando foi atingido nas costas, sem perceber a aproximação do atirador e sem possibilidade de reação.
Laudo pericial aponta que Alexandre levou três tiros pelas costas. Conforme o documento divulgado em 15 de julho daquele ano, um dos tiros não provocou ferimentos graves. Os outros dois, porém, causaram lesões nos pulmões, diafragma, fígado, átrio e pericárdio, e levaram à perda de muito sangue.

