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Justiça mantém presos acusados de matar motorista de van para eliminar concorrência em Jardim

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A Justiça negou os pedidos de liberdade feitos pelas defesas dos quatro réus acusados de matar a tiros o motorista de van Valdinei Marcos da Silva, de 39 anos, em Jardim, em fevereiro deste ano. O crime, segundo as investigações, teria sido encomendado por R$ 30 mil para “eliminar a concorrência” no transporte de passageiros na região da fronteira.

A decisão manteve a prisão preventiva de José Adão Corrêa, Alexandre Lanzoni, Edson Medeiros Ribeiro e Mara Isabel de Almeida Lara Medeiros. Também foi determinado o bloqueio de R$ 200 mil em bens, imóveis, veículos e ativos financeiros dos acusados, como forma de garantir futura reparação às filhas e esposa da vítima.

O juiz responsável pelo caso apontou que não houve qualquer mudança na situação dos acusados que justificasse a revogação da prisão. Ao contrário, destacou a “extrema periculosidade” dos réus, já que o homicídio foi praticado mediante promessa de pagamento e motivado por disputa comercial.

Na decisão, o magistrado citou ainda a apreensão de armas na casa de Alexandre Lanzoni e o histórico de José Adão, ex-policial civil expulso da corporação por condutas incompatíveis. Para a Justiça, a manutenção da prisão é necessária para “garantia da ordem pública e aplicação da lei penal”.

Também foram negados pedidos de prisão domiciliar. A defesa de Mara alegava dificuldades no cuidado dos filhos, mas o relatório social mostrou que a filha mais velha assumiu a responsabilidade pelos irmãos, sem indícios de negligência. O juiz ainda ressaltou que os acusados mantêm empresa lucrativa e possuem veículos de luxo em nome da família, afastando o argumento de dificuldades financeiras.

No caso de Edson Medeiros, internado com quadro de pneumonia bacteriana e derrame pleural, a Justiça considerou que o Hospital Regional de Ponta Porã possui estrutura adequada para o tratamento e que o réu vem apresentando melhora. Por isso, rejeitou tanto a prisão domiciliar quanto o pedido de transferência para hospital credenciado em Campo Grande.

Além disso, o juiz deferiu o sequestro de bens dos réus, estabelecendo bloqueio solidário de R$ 200 mil, que deverá recair primeiramente sobre imóveis e veículos. Caso não seja suficiente, poderá atingir ativos financeiros.

A audiência do caso foi marcada para a próximo segunda-feira (29).

O crime

O assassinato ocorreu no dia 9 de fevereiro, na BR-060, próximo a Jardim, a 226 km de Campo Grande. Valdinei dirigia uma van quando foi cercado por uma Fiat Toro preta.

Os ocupantes efetuaram disparos de espingarda calibre 12, forçando a vítima a parar às margens da rodovia. Em seguida, os atiradores desceram e executaram o motorista com vários tiros na cabeça.

Dentro da van estava também uma passageira, que sobreviveu à tentativa de homicídio e é considerada vítima do crime na forma tentada. Valdinei se dirigia a Bela Vista, onde embarcaria outros passageiros para uma viagem de compras ao Paraná.

Poucas horas após o crime, o DOF (Departamento de Operações de Fronteira) realizou cerco e prendeu em flagrante os dois executores quando tentavam fugir para Amambai. Trata-se do ex-policial civil José Adão Corrêa, de 54 anos, e o modelo Alexandre Lanzoni, de 34, conhecido por representar Mato Grosso do Sul em concursos de beleza.

No carro foram encontrados a arma usada no crime, cerca de R$ 9 mil em espécie e uma balaclava. Aos policiais, os dois se acusaram mutuamente: Alexandre alegou que foi coagido a participar, enquanto José Adão disse que o motorista era quem havia atirado.

Dois dias depois, em 11 de fevereiro, a Polícia Civil prendeu em Amambai o casal Emerson Medeiros Ribeiro, de 48 anos, e Mara Isabel de Almeida Lara Medeiros, de 49, apontados como mandantes. Segundo as investigações, o casal mantinha uma empresa de transporte e teria encomendado o assassinato por R$ 30 mil devido a desavenças comerciais com a vítima.

A disputa teria começado após Valdinei encerrar sociedade com Emerson, em novembro de 2024, alegando irregularidades financeiras. Desde então, relatos de testemunhas apontam que a vítima vinha sofrendo ameaças.

A investigação foi conduzida pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) de Jardim, com apoio da Delegacia de Amambai. O delegado Lucas de Taglialegna Marquez destacou à época a rapidez na elucidação do caso: “Em menos de 48 horas conseguimos identificar e prender não só os executores, mas também os mandantes”.

Com a decisão mais recente, os acusados permanecem presos enquanto aguardam julgamento por homicídio qualificado, com qualificadoras de motivo torpe, promessa de recompensa e meio cruel, e tentativa de homicídio.

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