O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, avaliou que a escolha de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato da direita à Presidência da República contribuiu para a vitória de Lula da Silva (PT). Na avaliação do dirigente, um nome mais moderado teria mais chances de derrotar o petista, mas a candidatura do senador acabou por afastar parte do eleitorado de centro e dividir a oposição.
“Na hora que optaram pelo Flávio na direita, dividiram o centro com o Lula”, afirmou Kassab ao O Globo. Para o presidente do PSD, o senador também perdeu apoio ao longo da campanha, principalmente depois de declarações sobre mudanças na Constituição e de ataques pessoais durante os debates, como a deficiência na mão de Lula. O dirigente partidário considera que o PT soube explorar essas fragilidades e associar o adversário ao retorno do bolsonarismo.
Kassab também avaliou que a eleição mostrou a dificuldade de romper a polarização política no País. Segundo o líder partidário, candidatos de outros campos não conseguiram atrair os eleitores que rejeitavam Lula e Flávio. Entre os nomes citados está o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, candidato do PSD. “Caiado era ótimo e muito preparado, mas não conseguiu atrair quem rejeitava Lula e Flávio”, afirmou.
Futuro da direita
Ao analisar o cenário para 2030, Kassab disse acreditar que a direita poderá buscar um candidato fora da família Bolsonaro. Para o presidente do PSD, não há perspectiva de uma nova candidatura presidencial de um dos filhos do ex-presidente. O dirigente, no entanto, reconhece que o apoio de Jair Bolsonaro continuará sendo importante para quem quiser disputar o Palácio do Planalto pelo campo conservador.
O presidente do PSD também comentou a possibilidade de anistia ao ex-presidente. Embora a legenda não tenha fechado posição sobre o assunto, Kassab declarou ser pessoalmente favorável à discussão. “Um vencedor poder estender a mão, sempre ajuda”, afirmou. (Especial para O HOJE)

