domingo, novembro 1, 2026

Lula defende estoque de petróleo para o ‘país não ficar chupando dedo’

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (20/3), que o Brasil tenha o próprio estoque de combustíveis e uma distribuidora na Petrobras para não se tornar refém durante as crises mundiais. Na ocasião, ele criticou os efeitos da privatização da BR Distribuidora e afirmou que, no cenário atual, “o consumidor fica chupando o dedo”. 

O presidente apontou que a ausência da distribuidora sob controle estatal compromete a capacidade de garantir que reduções ou aumentos definidos pela Petrobras cheguem ao consumidor final. “A Petrobras determina um preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor, e o consumidor fica chupando o dedo”, disse Lula durante agenda em uma refinaria da estatal em Betim, em Minas Gerais.

”Se o Brasil quer ser um país soberano, ele precisa de estoque para enfrentar crises, para quando tiver essa especulação no mercado, o governo ter condição de abaixar o preço”, continuou.

Atualmente, a Petrobras não mantém um estoque regulador formal de diesel ou gasolina com finalidade de política pública — ou seja, a estatal opera apenas com estoques operacionais, voltados à logística e ao funcionamento contínuo de refinarias.

Durante o evento, Lula também afirmou que os pobres acabam sempre sendo atingidos pelas altas dos preços durante as crises e criticou a falta de interesse pela paz de alguns países em guerra. “Qual a razão que um trabalhador tem que pagar a mais no preço do óleo por conta dessa maldita guerra? O que o mundo fez? Por que o pobre da América Latina tem que pagar?”, questionou.

Crise dos combustíveis

A visita de Lula à refinaria ocorre em meio à pressão sobre o governo federal diante da alta do diesel, que tem impactado diretamente o custo do transporte e gerado preocupação no setor produtivo — inclusive com ameaças de greve por parte dos caminhoneiros.

O combustível acumula reajustes recentes, impulsionados pelo cenário internacional e pela política de preços da Petrobras, o que reacendeu cobranças por medidas que aliviem o valor nas bombas. Nesse contexto, a agenda em Minas também funciona como oportunidade para o Planalto sinalizar ações de estabilidade no abastecimento e nos preços.

Na quinta (19), Lula voltou a pedir aos governadores que reduzam alíquotas de Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) e ajudem a evitar que o impacto do conflito chegue ao prato de comida dos brasileiros. Em contrapartida, a União propôs bancar metade da renúncia, que é estimada no total de R$ 3 bilhões por mês. 
 

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