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Mãe de menino com coração ‘queimado’ diz: “Enquanto respirar, está vivo”

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UM mãe do menino de dois anos e três meses que foi submetido ao transplante de um coração que estava “queimado”, no último dia 23 de dezembro, assumiu que, enquanto o seu filho “respirar”, não o abandonará, uma vez que “está vivo”. Quando passou passou pela primeira cirurgia de emergência, a criança recebeu um órgão inadequado, que não estaria em boas condições devido ao mal armazenamento feito pelos especialistas.

“Os especialistas decidiram que não, por isso não haverá um novo transplante. Mas, enquanto o meu filho respirar, está vivo, por isso não vou abandonar ele”, disse Patrizia, citada pelo Corriere della Sera.

Após a notícia de que um coração compatível havia sido encontrado para Domenico, que está internado no Hospital Monaldi em Nápoles, Patrizia e seu marido foram da esperança à decepção.

“Não sei se pediremos outras opiniões. Agora a minha cabeça está em outro lugar, depois falarei com o meu advogado e avaliaremos”, confessou, na noite desta quarta-feira (18), após a negativa de uma nova cirurgia.

Patrizia chegou à unidade hospitalar no início da manhã, acompanhada do marido. O casal esperou por novidades nos corredores, informando advogados e familiares em tempo real. A mulher recebeu a decisão negativa dos peritos com lágrimas contidas, abraçada ao marido. Mostrou-se, depois, resignada com a ideia de que o filho não sobreviverá, e frisou que tem de “ser forte, porque (tem) outros dois filhos”.

“Pedi ao presidente Fico para que o meu filho seja lembrado e que tudo o que aconteceu não seja esquecido. Me devem isso, para que isto nunca mais aconteça”, disse, após a visita do governador de Campânia, Roberto Fico.

O responsável, por outro lado, salientou que este “é um caso muito doloroso”, dando conta de que ativou “imediatamente os máximos poderes de vigilância, controle e inspeção da região”.

“Recebi um relatório de 290 páginas que enviei ao ministro (da Saúde, Orazio) Schillaci, com quem também tive uma reunião que já estava marcada”, complementou.

Já o tutelar da pasta da Saúde realçou que “o parecer negativo escreve um epílogo diferente daquele que todos esperávamo, mas é preciso seguir as indicações da ciência”.

“Com o Centro Nacional de Transplantes, trabalhamos com empenho e seriedade para garantir novas oportunidades à criança. Estamos próximos da família e aguardamos os resultados das investigações. É o nosso dever esclarecer a situação”, disse.

Domenico não sobreviveria a um novo transplante

Ao final da tarde de quarta-feira, o comitê de especialistas que se reuniu na unidade de saúde napolitana para avaliar a viabilidade de um novo transplante emitiu um parecer negativo. Os profissionais de saúde tiveram em conta o fato de que o menino sofreu uma nova hemorragia cerebral, assim como uma crise séptica devido a uma infeção. Além disso, não respondeu os estímulos, apesar de a sedação ter sido reduzida.

Em coma induzido há 58 dias, Domenico não sobreviveria a um novo transplante, na opinião dos médicos. Assim, foi comunicado ao Centro Nacional de Transplantes que o coração compatível que foi encontrado na terça-feira à noite deveria destinar-se a um dos dois outros pacientes considerados aptos para o procedimento.

O Ministério Público de Nápoles apurou que a caixa de transporte utilizada para levaro coração (“queimado”) de Bolzano até Nápoles era de “geração antiga”, pelo que não cumpria as diretrizes em vigor. Era, aliás, um modelo “ultrapassado”, composto por um recipiente plástico isotérmico tradicional, sem termostato, sondas e tela para controlar em tempo real a temperatura do órgão.

Seis cirurgiões, médicos e paramédicos da instituição napolitana que participaram na remoção do coração do dador em Bolzano, assim como no acondicionamento do órgão, no transporte e no subsequente transplante, estão sob investigação por lesão corporal grave.

Após a remoção do órgão, os profissionais de saúde do Hospital San Maurizio de Bolzano teriam fornecido gelo seco para a equipe napolitana, em vez de gelo tradicional. Isso significa que o gelo seco, que atinge temperaturas significativamente mais baixas que o tradicional, teria causado danos irreparáveis ​​às fibras do músculo cardíaco, tornando o coração inutilizável.

O Ministério Público de Bolzano também abriu inquérito sobre o caso.

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