Amigos, familiares, moradores e autoridades participaram nesta sexta-feira (13) da 1ª Caminhada da Educação contra a Violência Doméstica e o Feminicídio, no município de Anastácio, a 145 quilômetros de Campo Grande. A mobilização foi organizada em prol de Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, que foi assassinada dentro da própria casa no início do mês. O principal suspeito é o marido, Edson Campos Delgado, que já confessou o crime a polícia.
O ato começou na Praça Garibaldi Medeiros e seguiu em caminhada até o Fórum de Anastácio, em momento de conscientização sobre a gravidade da violência contra a mulher e a necessidade de união da sociedade em combate ao feminicídio.
Muito abalada, a mãe de Leise não conseguiu conter a emoção, e repetia diversas vezes: Te amo filha, te amo filha… desculpa por não ter te ajudado, filhinha”, conforme reportagem do portal A Princesinha News. A cena comoveu profundamente as pessoas que acompanhavam a caminhada e reforçou o clima de dor e reflexão que marcou o ato.
A caminhada acontece em um momento em que os índices de violência contra mulheres continuam preocupando em Mato Grosso do Sul. Dados recentes apontam que o estado registrou 39 mulheres assassinadas em 2025, o equivalente a 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres, índice acima da média nacional.
Além disso, o número de boletins de ocorrência relacionados à violência contra mulheres cresceu mais de 10% no mesmo período, evidenciando tanto o aumento das denúncias quanto a dimensão do problema.
O crime
O debate sobre a violência contra a mulher ganhou ainda mais força na região após um crime brutal registrado recentemente em Anastácio.
Na manhã de sexta-feira (6), a moradora Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi assassinada dentro da própria casa. O principal suspeito é o marido, Edson Campos Delgado, que acabou confessando o crime à polícia.
Segundo as investigações, após cometer o assassinato, o homem permaneceu durante todo o dia dentro da residência com o corpo da esposa. Durante esse período, ele chegou a utilizar o celular da vítima para enviar mensagens a familiares, tentando fazer com que todos acreditassem que ela ainda estava viva.
Uma das mensagens foi enviada por volta das 8h30 da manhã, quando o suspeito escreveu “bom dia” para a enteada, se passando pela própria vítima.
O caso só começou a ser esclarecido após exames do Instituto de Medicina Legal apontarem que a mulher morreu por asfixia. Diante das evidências, o suspeito acabou confessando o feminicídio.
O crime chocou moradores da região e reforçou ainda mais o alerta para a gravidade da violência contra a mulher no estado.


