A ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, realizou na tarde deste domingo (22) a abertura do Segmento de Alto Nível da COP15, realizado no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, no Parque dos Poderes.
Em seu discurso, a ministra afirmou que o mundo está em um momento decisivo para lidar com a crise climática e a perda de biodiversidade, e colocou a COP15 como um espaço de ampliar a proteção de espécies e fortalecer a cooperação internacional.
“O Brasil está ampliando suas áreas protegidas e fortalecendo suas políticas de biodiversidade, com instrumentos como a Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB), que mobiliza todo o governo em torno das metas para 2030, e com o fortalecimento dos Planos de Ação Nacional para Espécies Ameaçadas, além de outros planos que são igualmente convergentes, como é o caso do Plano Clima, do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, de Combate à Desertificação e todos eles convergem para a proteção dessas espécies e os seus habitats”.
A ministra classificou o atual cenário geopolítico mundial como um palco de guerras bélicas e tarifarias que impedem “a disposição para a cooperação’ internacional.
“Mas precisamos trabalhar juntos, de mãos dadas, porque esses animais silvestres nos ensinam que, tal como a natureza não reconhece fronteiras, a cooperação e a solidariedade também têm o poder de flexibilizá-las em prol do bem comum”.
Sobre a Cop15
A ministra realizou o discurso em sessão especial da COP15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres.O evento acontece de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS).
O evento recebe mais de duas mil pessoas, englobando representantes de governos, organismos internacionais, especialistas, sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais. Esta é a primeira vez que o Brasil sedia a reunião global. A escolha do município posiciona o Pantanal como território simbólico e político da agenda de conectividade ecológica.
O Brasil exerce a presidência da conferência de forma inédita desde o seu ingresso no acordo. O secretário-executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), João Paulo Capobianco, toma posse como presidente da COP15 durante a programação. O país recebe a liderança formal do Uzbequistão, sede da edição anterior do evento.
A comitiva brasileira atua na liderança e coliderança de sete propostas para adicionar novas espécies aos anexos de proteção internacional e de ameaça de extinção. Os pedidos envolvem peixes como o pintado, o cação-cola-fina e o cação-anjo-espinhoso. O grupo de aves sugerido abrange petréis, o caboclinho-do-pantanal e as espécies maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado.
O governo nacional também apresenta propostas de planos de ação para a proteção de bagres migratórios amazônicos, construídas em cooperação com Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. A pauta inclui ações concertadas voltadas à conservação da toninha, do boto-de-Lahille e de espécies de tubarão. Os debates buscam mitigar a perda de habitat e a sobre-exploração, classificadas como as principais ameaças aos animais migratórios.


