domingo, novembro 1, 2026

MercosulUE entra em vigor e libera US$ 825 milhões em exportações brasileiras

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A entrada em vigor provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia, marcada para 1º de maio, coloca em prática os primeiros efeitos comerciais de um tratado negociado ao longo de mais de duas décadas. Na fase inicial, cerca de US$ 825 milhões em exportações brasileiras passam a ter acesso livre de tarifas, segundo estudo do Insper Agro Global.

O levantamento feito pelo pesquisador Bruno Capuzzi, sob coordenação de Marcos Sawaya Jank, foi antecipado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, que acompanha a fase de implementação do acordo.

A atuação do senador inclui também a fase anterior do acordo, com interlocução parlamentar na Europa, no Brasil e no Parlamento do Mercosul.

“Fomos a Bruxelas, Estrasburgo, Lisboa, Varsóvia e Paris conversar com eurodeputados. Não foi fácil, mas conseguimos construir pontes”, afirmou.

Confirmada pela Comissão Europeia pela manhã, a aplicação inicial ativa os principais dispositivos comerciais do acordo para países que já concluíram a ratificação, como o Brasil. A redução de tarifas ocorre de forma gradual ao longo dos próximos anos.

Os ganhos iniciais se concentram em produtos onde o Brasil já é competitivo, como frutas, nozes, pimentas, óleo de milho e couros, e representam cerca de 3% das exportações brasileiras para a União Europeia. Ao mesmo tempo, cotas e salvaguardas permanecem para itens sensíveis, como carne bovina e açúcar, limitando efeitos mais amplos no curto prazo.

Apoio da Comissão de Relações Exteriores ao setor produtivo

No Senado, o senador Nelsinho Trad instalou um grupo de acompanhamento no âmbito da Comissão de Relações Exteriores para monitorar os impactos e manter diálogo com o setor produtivo.

O grupo já passou a atuar em articulação com o governo federal — em especial com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Agricultura — e contribuiu para a construção do decreto de salvaguardas publicado recentemente.

O instrumento permite a adoção de medidas de proteção a setores da economia diante de eventuais impactos da abertura comercial.

“Setores que se sentirem prejudicados vão poder nos procurar para que possamos, junto com o Executivo, mitigar as dificuldades”, afirmou.

Impacto inicial no agro

Segundo o Insper, os primeiros efeitos devem se concentrar no agronegócio, especialmente em cadeias já inseridas no comércio internacional.

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul — estado representado pelo senador — aparece entre os que podem ampliar presença no mercado europeu, com cadeias relevantes como carne, celulose e bioenergia.

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