A intensa movimentação de helicópteros e forças de segurança no entorno da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, no Jardim Noroeste, chamou a atenção de moradores na manhã desta segunda-feira (8). Os sobrevoos constantes geraram especulações sobre uma possível tentativa de fuga em massa no complexo penitenciário.
No entanto, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) esclareceu que a operação faz parte da implementação do PSM (Projeto Padrão Segurança Máxima), iniciativa do Governo Federal coordenada pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) para reforçar o combate ao crime organizado dentro dos presídios brasileiros.
Segundo a nota oficial, Mato Grosso do Sul é o primeiro estado do país a receber a implementação prática do eixo de capacitação e padronização operacional do programa. As atividades ocorrem na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, considerada estratégica para o sistema penitenciário nacional por custodiar atualmente 2.764 detentos.
A ação conta com a participação da Força Penal Nacional, coordenada pela Polícia Penal Federal, além de 40 policiais penais sul-mato-grossenses. Durante os trabalhos, as equipes atuam na aplicação de protocolos relacionados à movimentação de presos, revistas, controle de acessos, contenção, gestão de equipes e outros procedimentos de segurança.
Ainda conforme a Agepen, a unidade deverá receber nos próximos meses equipamentos de alta tecnologia adquiridos pela Senappen, como scanners corporais, aparelhos de raio-X e viaturas especializadas para reforçar a fiscalização e o controle interno.
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou que a iniciativa busca levar aos estados procedimentos e conhecimentos desenvolvidos no Sistema Penitenciário Federal para fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas.
Já o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, afirmou que a atuação conjunta entre as forças estaduais e federais permite o intercâmbio de experiências e o aprimoramento dos protocolos operacionais adotados no sistema prisional de Mato Grosso do Sul.
A presença da Força Penal Nacional no Estado foi autorizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio da Portaria nº 1.214, com atuação prevista inicialmente por 90 dias. Atualmente, a missão reúne 22 policiais penais federais e estaduais vindos de diferentes regiões do país.
Apesar da explicação oficial, a movimentação registrada durante a manhã provocou preocupação entre moradores da região. Relatos encaminhados à reportagem apontavam para uma suposta tentativa de fuga em massa no presídio, hipótese que ganhou força devido ao grande número de sobrevoos e à presença reforçada de agentes de segurança.
Um morador que vive próximo ao complexo penitenciário relatou que os helicópteros começaram a circular por volta das 7h e permaneceram na área durante boa parte da manhã, o que gerou apreensão entre os vizinhos.
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