sábado, setembro 12, 2026

MT registra seis desaparecimentos por dia e está entre os 10 estados com maior taxa do país

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Mato Grosso registrou, em média, seis desaparecimentos de pessoas por dia no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Ao todo, foram 1.109 registros entre janeiro e junho, colocando o Estado entre os dez com as maiores taxas de desaparecimento do país.

A taxa de Mato Grosso chegou a 48,13 casos a cada 100 mil habitantes, a sexta maior do Brasil no período. O Estado ficou atrás de outras regiões como Amapá (56,09), Roraima (55,41) e o Distrito Federal (65,89).

Os números fazem parte de um cenário nacional de crescimento. O Brasil registrou 43.910 desaparecimentos nos seis primeiros meses de 2026, o maior número para o primeiro semestre em uma década.

Com isso, a média nacional passou de 196 desaparecimentos por dia em 2016 para 242 em 2026, cerca de 10 pessoas desaparecidas por hora.

Registros aumentaram nos últimos anos

A série histórica mostra uma trajetória de crescimento dos registros de desaparecimento no país. Em 2020, foram 31.177 ocorrências, já em 2026, o sistema contabilizou 43.910 casos.

Em números absolutos, São Paulo liderou o ranking nacional no primeiro semestre, com mais de 10 mil registros. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 4.864; Rio Grande do Sul, com 4.037; Rio de Janeiro, com 3.364; e Paraná, com 3.054.

Em Mato Grosso, dos 1.109 registros, 743 eram homens e 366 mulheres. Do total, 339 envolviam pessoas de 0 a 17 anos, enquanto 743 eram maiores de idade.

A distribuição dos registros também variou ao longo do semestre. Janeiro teve 169 desaparecimentos, seguido por fevereiro, com 150; março e abril, com 196 cada; maio, com 208; e junho, com 190.

Apesar do crescimento dos registros, a Polícia Civil alerta que os números não devem ser interpretados automaticamente como um aumento proporcional dos casos reais de desaparecimento.

Segundo Jannaína Paula, escrivã de Polícia e coordenadora do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), existem diferentes fatores envolvidos e também casos que podem não chegar ao conhecimento das autoridades.

“Não é possível atribuir esse aumento a uma única causa. O desaparecimento de pessoas envolve diferentes contextos e realidades, porque nós estamos falando de crianças, adolescentes, adultos e idosos, ou seja, com situações e vulnerabilidades diferentes”, explicou a especialista em entrevista ao Portal Primeira Página.

Segundo ela, os desaparecimentos envolvem crianças, adolescentes, adultos e idosos, cada grupo com diferentes contextos e vulnerabilidades.

Jannaína também chama atenção para a subnotificação. Há famílias que desconhecem a necessidade de registrar imediatamente a ocorrência ou que, por diferentes motivos, não procuram a Polícia Civil.

Por isso, o número oficial de registros não representa necessariamente a totalidade dos desaparecimentos ocorridos no Estado. Ao mesmo tempo, um crescimento nas notificações pode estar relacionado também à maior conscientização da população sobre a importância de comunicar o desaparecimento.

Veja os dados geral de Mato Grosso:

6 Pessoas desaparecem por dia em MT

2º Maior Média da Região Centro-Oeste

Homens 743 (67%)

Mulheres 366 (33%)

0 a 17 anos 339

18+ anos 743

Jan 169

Fev 150

Mar 196

Abr 196

Mai 208

Jun 190

571

Pessoas Localizadas em MT

📍 Média de 3 localizados/dia
⚠️ Menor índice em Junho: 82 pessoas

Maioria dos casos localizados é classificada como voluntária

Em Mato Grosso, 571 pessoas foram localizadas no período analisado, o equivalente a uma média de aproximadamente três localizações por dia. Junho foi o mês com o menor número de pessoas encontradas, com 82 localizações.

A classificação das motivações, porém, só é feita após a localização da pessoa e a conclusão da análise do caso. Entre os casos localizados acompanhados pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas entre janeiro e agosto, aproximadamente 87% foram classificados como desaparecimentos voluntários.

De acordo com Jannaína, geralmente são situações relacionadas a conflitos familiares, falhas de comunicação ou à decisão da própria pessoa de se afastar de casa.

Os desaparecimentos involuntários representaram aproximadamente 5,4% dos casos. Nessa categoria estão situações envolvendo, por exemplo, idosos, pessoas com problemas de saúde mental ou indivíduos em situação de vulnerabilidade que acabam se desorientando e não conseguem retornar para casa.

cerca de 5% dos casos foram classificados como desaparecimentos forçados, incluindo situações em que a pessoa estava presa ou sob custódia policial.

A classificação é importante porque permite compreender que o desaparecimento não está necessariamente relacionado a um crime.

Polícia Civil busca padronizar atendimento

Para a coordenadora do Núcleo de Pessoas Desaparecidas, um dos principais desafios de Mato Grosso diante da crescente no número de desaparecimentos é padronizar o atendimento dos casos em todo o estado.

Segundo ela, a Polícia Civil avançou nesse processo com a publicação da Resolução nº 130 de 2026, aprovada pelo Conselho Superior da instituição, que estabeleceu um protocolo de atendimento e investigação de pessoas desaparecidas.

A proposta é criar parâmetros para que os casos sejam atendidos e investigados de maneira mais padronizada, independentemente da unidade policial onde o desaparecimento foi registrado.

Outro desafio está na própria base de dados. Segundo a escrivã, o sistema de registro de ocorrências policiais da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) ainda possui um número elevado de registros que ainda precisa ser analisado.

A Polícia Civil realiza atualmente uma força-tarefa para verificar quais pessoas já foram localizadas, atualizar os registros e identificar quais casos continuam em aberto.

“É um trabalho que vai muito além de simplesmente localizar uma pessoa, envolve melhorar a qualidade das informações, padronizar os procedimentos, integrar as instituições e principalmente conseguir oferecer uma resposta cada vez mais eficiente às famílias”, afirma Jannaína.

Não é preciso esperar 24 horas para registrar desaparecimento

Uma das principais orientações da Polícia Civil é que familiares não esperem 24 horas para comunicar o desaparecimento. Segundo Jannaína, essa ideia de que é necessário aguardar um dia para procurar a polícia é um mito.

“Não é necessário esperar 24 horas para fazer o registro. Isso é coisa de filme e de série. Pode ser feito registro sim, independente do tempo. Quanto mais cedo a ocorrência for comunicada, mais rapidamente as informações poderão chegar às equipes responsáveis pela busca e investigação”, explicou a escrivã.

No momento do registro, é importante fornecer uma fotografia recente da pessoa, além do máximo possível de informações: características físicas, roupas usadas no momento do desaparecimento, último local onde foi vista, telefone, eventual veículo e detalhes sobre sua rotina.

desaparecidos

Atenção redobrada com crianças e adolescentes

A Polícia Civil também orienta pais e responsáveis a manterem proximidade com crianças e adolescentes, conhecendo os amigos, os locais frequentados e a rotina deles. Segundo Jannaína, mudanças de comportamento também devem ser observadas, assim como a utilização das redes sociais.

“Conhecer a rotina e as relações de uma criança ou adolescente pode ser fundamental para compreender rapidamente o contexto do desaparecimento e nos ajuda a direcionar as buscas”, afirma.

Em grandes eventos e locais com multidões, a recomendação é não perder a criança de vista e, sempre que possível, segurá-la pela mão. Também é importante estabelecer pontos de encontro em locais públicos e orientar as crianças a memorizar o nome completo, nomes dos pais, endereço e telefones importantes.

Outra recomendação é acompanhar o uso da internet e das redes sociais e providenciar desde cedo documentos pessoais, como RG ou CPF.

Para a coordenadora, o principal recado às famílias é não ter medo ou vergonha de comunicar um desaparecimento.

“Não tenham medo ou vergonha de procurar a polícia. Não tenham, não fiquem constrangidos. O desaparecimento precisa ser comunicado. A prioridade nesses casos é sempre localizar a pessoa e garantir que ela esteja em segurança e para isso a Polícia Civil está pronta para ajudar”, reforça Jannaína.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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