Com linguagem cautelosa, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta sexta-feira (29) que a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas deve ser analisada com atenção para evitar impactos sobre a soberania do Brasil.
A manifestação foi feita por meio de nota da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, um dia após o governo norte-americano anunciar a inclusão das duas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês).
No comunicado, a comissão reconhece a gravidade da atuação dos grupos criminosos, classificados como organizações que desafiam o Estado, expandem suas atividades para além das fronteiras brasileiras, movimentam recursos ilícitos e afetam a segurança da população.
Apesar disso, Trad defendeu cautela diante da medida adotada pelos Estados Unidos.
“Uma eventual classificação dessas facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos precisa ser analisada com cautela. O combate ao crime organizado é necessário e urgente, mas não pode abrir margem para qualquer tipo de interferência sobre a soberania nacional”, afirmou.
O senador também destacou a importância da cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado, especialmente em ações de inteligência, fiscalização de fronteiras e combate ao tráfico de drogas, armas, contrabando e lavagem de dinheiro.
Segundo ele, o Brasil precisa fortalecer suas próprias políticas de segurança pública e garantir condições adequadas para a atuação das forças de segurança.
“O que o Brasil precisa é de um governo que trate segurança pública como prioridade, que não deixe espaços serem ocupados por facções e que dê às forças de segurança condições reais de proteger a população”, declarou.
Decisão dos Estados Unidos
O anúncio foi feito na quinta-feira (28) pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as facções passarão a integrar oficialmente a lista de organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho.
A medida faz parte da estratégia dos Estados Unidos de ampliar o combate ao crime organizado transnacional e endurecer sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
Em comunicado, o governo norte-americano classificou as facções entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e afirmou que os grupos são responsáveis por ataques contra policiais, agentes públicos e civis.
A decisão pode ampliar mecanismos de cooperação internacional, rastreamento financeiro e sanções contra pessoas ou empresas que mantenham relações com as facções. Entretanto, o tema tem gerado debate entre autoridades brasileiras sobre os possíveis efeitos diplomáticos e jurídicos da classificação.

