domingo, novembro 1, 2026

O primeiro-ministro da França renuncia cargo em menos um mês

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O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, renunciou nesta segunda-feira (6), menos de um mês após assumir o cargo. O Palácio do Eliseu confirmou a decisão, e o presidente Emmanuel Macron já aceitou a demissão. Lecornu deixou o cargo poucas horas depois do anúncio de uma nova composição ministerial, que reorganizou a equipe para trabalhar sob sua liderança.

Em discurso no pátio do Palácio de Matignon, sede do governo, Lecornu explicou que a renúncia ocorreu devido à intransigência dos partidos políticos, que, segundo ele, priorizaram interesses próprios em detrimento dos do país. Ele afirmou que “estava pronto para ceder, mas cada partido político queria que o outro adotasse todo o seu programa”.

Nomeado por Macron em 9 de setembro, Lecornu, ex-ministro da Defesa, substituiu François Bayrou, que renunciou após nove meses e derrota em voto de confiança no Parlamento. Lecornu foi o quinto premiê do segundo mandato de Macron, iniciado em 2022. Durante seu mandato como ministro da Defesa, liderou um reforço militar planejado até 2030, impulsionado pela guerra na Ucrânia.

A saída de Lecornu agrava a crise política francesa. Macron agora precisa recompor o governo, podendo nomear um novo premiê ou convocar eleições antecipadas. Até o momento, o presidente não se pronunciou oficialmente sobre os próximos passos. A instabilidade é reforçada pela crise econômica: a França é o país mais endividado da União Europeia em termos absolutos.

A renúncia gerou reações de líderes políticos. Marine Le Pen, da extrema-direita, pediu eleições legislativas antecipadas e a dissolução da Assembleia Nacional, enquanto Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, anunciou intenção de apresentar uma moção de impeachment contra Macron. O ministro do Interior, Bruno Retailleau, cobrou explicações do presidente sobre a situação política do país.

Ex-conservador que se uniu ao movimento centrista de Macron em 2017, Lecornu ocupou cargos em governos locais e territórios ultramarinos, participando do “grande debate” dos coletes amarelos, mediando a revolta popular pelo diálogo.

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