O avanço do surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a demonstrar preocupação com a velocidade de disseminação da doença e com a dificuldade de resposta das autoridades sanitárias. Na terça-feira (19), o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “profundamente preocupado” com a escalada da epidemia, que já ultrapassa 500 casos suspeitos e soma ao menos 131 mortes.
Segundo boletim divulgado pelas autoridades de saúde congolesas, o país registra 516 casos suspeitos e 33 confirmações laboratoriais da doença. A vizinha Uganda também confirmou dois casos.
Somente entre segunda-feira (18) e terça-feira, 26 mortes suspeitas foram contabilizadas no leste congolês, ampliando o alerta internacional sobre a possibilidade de expansão do surto para áreas mais populosas. No sábado (16), Tedros já havia declarado emergência internacional por causa da disseminação do vírus.
Entre os fatores que mais preocupam a OMS estão os registros de casos em centros urbanos como Goma, no Congo, e Kampala, capital de Uganda, além da presença da doença em regiões afetadas por conflitos armados, como a província congolesa de Ituri.
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Ainda, a representante da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou que a resposta ao surto está sendo prejudicada pela falta de testes específicos para identificar a variante Bundibugyo. Segundo ela, os laboratórios da região conseguem realizar apenas seis exames por hora para detectar a cepa rara do vírus.
“Levou semanas para detectar o surto porque os testes usados na região eram voltados à cepa Zaire, que é mais comum”, disse Anne Ancia. Ela também afirmou que há “grande incerteza” sobre o tamanho real da epidemia devido à limitação da vigilância epidemiológica e da capacidade de investigação nas áreas afetadas.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a OMS “demorou um pouco para identificar isso, infelizmente” e declarou que a resposta norte-americana será liderada pelo CDC em coordenação com a entidade.

