Mensagens encontradas no celular da mãe do rapper são analisadas pela Polícia Civil; investigadores apuram possível influência de Marcinho VP sobre atividades políticas em áreas dominadas pelo Comando Vermelho
Mensagens encontradas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, indicam que o artista teria transmitido uma orientação atribuída ao pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, para “fechar a política”. O conteúdo integra uma investigação sobre a atuação e a movimentação financeira de pessoas ligadas ao Comando Vermelho (CV).
De acordo com informações publicadas pelo portal Metrópoles nesta quinta-feira (29), a conversa foi localizada por investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Na troca de mensagens, Oruam teria relatado à mãe o que ouviu do pai durante uma visita realizada em março de 2025, no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
A mensagem atribuída ao rapper diz: “Meu pai mandou fechar a política”.
Para os investigadores, o diálogo pode indicar que Marcinho VP, mesmo preso há mais de duas décadas, manteria influência sobre atividades políticas em regiões sob domínio da facção. O relatório, contudo, não esclarece o significado exato da expressão nem identifica políticos, partidos ou campanhas eleitorais que estariam relacionados à suposta orientação.
Investigação também apura movimentação financeira
As mensagens foram analisadas no contexto de uma investigação sobre a movimentação de recursos atribuídos ao Comando Vermelho. Em abril deste ano, Márcia foi alvo de uma operação policial relacionada à apuração financeira do grupo.
Segundo os investigadores, outras conversas apontariam para uma disputa entre Oruam e o irmão, Lucas Nepomuceno, pelo acesso aos recursos e à influência do pai. Em uma das mensagens, o rapper teria questionado a mãe sobre a possibilidade de também buscar os próprios interesses, afirmando que o irmão já teria obtido vantagens.
A polícia também identificou conversas sobre valores que, segundo a investigação, seriam provenientes de atividades da organização criminosa. Em um dos diálogos, Oruam teria mencionado o recebimento de dinheiro atribuído ao pai. Outras mensagens tratariam de pedidos de recursos para despesas familiares.
Os investigadores avaliam que esse material pode ajudar a esclarecer como seriam administrados os recursos e os interesses atribuídos ao grupo, inclusive com a participação de familiares. As interpretações fazem parte da apuração policial e devem ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo processo.
Denúncia por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Em maio de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras pessoas por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, o grupo teria atuado na movimentação e ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas.
O Ministério Público também sustentou que Marcinho VP continuaria exercendo influência hierárquica sobre a facção mesmo encarcerado. Essas alegações integram a acusação e não devem ser confundidas com uma condenação definitiva.
Até a publicação da reportagem do Metrópoles, o veículo informou que não havia conseguido localizar a defesa dos citados para comentar as mensagens. A investigação sobre o conteúdo dos diálogos e a possível influência política atribuída a Marcinho VP continua em andamento.

