domingo, abril 26, 2026

Pago o preço de ter posição política, diz Daniela Mercury, que reinventou o Carnaval

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(FOLHAPRESS)- Cantora relembra decisão de levar o Bloco Crocodilo para a Barra, aposta considerada arriscada na época e que transformou o circuito Barra-Ondina no principal da folia baiana. Artista também fala sobre independência, política e os desafios de manter blocos nas ruas.

A história recente do Carnaval de Salvador ganhou um novo capítulo há três décadas, quando Daniela Mercury decidiu levar o Bloco Crocodilo para a Barra. Até então, o circuito tradicional da festa era o Campo Grande e a Avenida Sete, considerados o coração da folia. A Barra recebia apenas eventos alternativos e não tinha estrutura adequada, como iluminação.

A decisão enfrentou resistência. A Avenida Sete era símbolo do Carnaval, mas Daniela considerava o trajeto saturado. O trio elétrico ficava praticamente parado em congestionamentos, obrigando a cantora a se apresentar por até oito horas seguidas. Em 1996, apenas o Crocodilo desfilou na Barra durante os dias oficiais. A aposta abriu caminho para que, nos anos seguintes, o circuito Barra-Ondina se consolidasse como o principal da cidade.

“Não tinha infraestrutura, mas avisei a cidade, avisei a prefeitura, pedi licença e desci. E hoje é o circuito mais importante da cidade”, afirma. Ela lembra que o desgaste físico era extremo. “Eu fazia sete horas, oito horas por dia cantando num engarrafamento. Era algo completamente desumano.”

Desde então, o Bloco Crocodilo se tornou um dos maiores do Carnaval baiano, ao lado do Coruja, de Ivete Sangalo, e do Camaleão, de Bell Marques. Daniela transformou o trio elétrico em palco de experimentações artísticas, com óperas carnavalescas, teatro musical, performances eletrônicas e encontros com bailarinos e DJs.

O ano de 1996 também marcou o lançamento de “Feijão com Arroz”, álbum que trouxe sucessos como “Nobre Vagabundo”, “Rapunzel” e “À Primeira Vista”. O disco é apontado como um dos mais importantes da carreira da artista, que recentemente completou 60 anos e acumula mais de quatro décadas de trajetória.

A relação com São Paulo começou ainda em 1992, quando fez um show no vão livre do Masp. A apresentação, que reuniu cerca de 9 mil pessoas e causou bloqueios na Avenida Paulista, foi interrompida após 40 minutos por questões de segurança. “Eu me perguntava como aquelas pessoas me conheciam”, relembra.

Desde 2016, Daniela encerra o Carnaval paulistano com o bloco Pipoca da Rainha, que já reuniu mais de um milhão de foliões na Rua da Consolação. Segundo ela, o projeto é mantido com recursos próprios e sem cachê. “Governos ainda veem a arte como gasto, não como investimento”, critica.

A empresária da cantora, Malu Verçosa Mercury, afirma que o custo para colocar o bloco na rua pode chegar a R$ 650 mil, sem contar o cachê da artista. A Prefeitura de São Paulo informou que o bloco não se inscreveu em programas de fomento e que a estrutura da festa é custeada pelo patrocinador oficial.

Daniela também mantém posicionamentos políticos públicos, mesmo reconhecendo possíveis prejuízos comerciais. “Faço isso por dever civil”, afirma. A cantora já se manifestou contra o governo de Jair Bolsonaro e participou de mobilizações contra propostas legislativas que considera prejudiciais à democracia.

Em outubro, ela lançou “Cirandaia”, álbum independente com 12 faixas. A música de trabalho, “É Terreiro”, em parceria com Alcione, homenageia mulheres e faz referência a Maria Padilha, entidade cultuada em religiões de matriz africana. “Quero falar sobre o que é ser mulher e denunciar a violência que cresce no país”, diz.

Para Daniela, a arte precisa ter propósito. “Existem artistas e existem entretenimentos. Fazer arte independente é muito mais difícil, mas é o caminho que escolhi”, conclui.

BLOCO CROCODILO
– Quando Dom. (15), às 18h
– Onde Circuito Barra-Ondina
– Preço R$ 840
– Link: https://www.queroabada.com.br/bloco-crocodilo

PIPOCA DA RAINHA
– Quando Qua. (18), às 14h
– Onde R. da Consolação, São Paulo
– Preço Grátis

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