Pai de santo, de 40 anos, acusado de torturar mulheres durante trabalhos espirituais, estaria tentando retornar aos trabalhos, em Campo Grande. Os crimes investigados ocorreram na Vila Nhanhá.
A indicação do retorno chegou ao TopMídiaNews por via anônima e traz o perfil dele no Instagram. Na rede, o líder religioso anuncia trabalhos como banhos, búzios tarô.
”Só com hora marcada”, observa o perfil do religioso. A foto é do próprio pai de santo com cenário típico de casas religiosas, com frutas e plantas sobre uma mesa.
O que chama a atenção é que o perfil está restrito e não aparece o número de telefone do homem. Outro detalhe é que, após as denúncias das vítimas, o pai de santo nunca se manifestou aos jornais. Apesar das várias tentativas de contato.
Na tarde desta quinta-feira, o site fez novos contatos, por telefone, mensagem na rede social e por WhatsApp. O espaço está permanentemente aberto para manifestação do envolvido.
Mão ferida supostamente por queimadura com charuto (Foto: Repórter Top)
Relembre o caso
Duas mulheres, de 21 e 44 anos, denunciaram, em 22 de julho, terem torturadas e ameaçadas durante ritual espiritual ocorrido cinco seis dias antes. O terreiro fica no Jardim Nhanhá, em Campo Grande.
O boletim de ocorrência registrado deu conta que as vítimas participavam de um trabalho espiritual tradicional da casa. Na ocasião, o pai de santo anunciou que havia incorporado uma entidade chamada “João Mulambo”.
Segundo o relato, sete mulheres participavam do ritual, todas filhas de santo, e foram submetidas a uma série de práticas consideradas abusivas, sob ordens diretas do líder espiritual.
Ainda segundo narrado à época, o pai de santo proibiu que as vítimas se sentassem durante cerca de duas horas. Em seguida, rodou uma garrafa de cachaça e obrigou todas a ingerirem a bebida.
As vítimas afirmam que, embora algumas práticas sejam características do ritual, a imposição e o uso de violência física e psicológica não fazem parte da religião e foram além de qualquer limite espiritual. Duas das mulheres foram forçadas a permanecer de joelhos por mais de uma hora segurando velas acesas.
Em determinado momento, o pai de santo teria ameaçado todas as participantes dizendo que se alguma delas incorporasse uma entidade sem sua autorização, ele daria “cabeçadas até abrir a cabeça”.
A denunciante mais velha relatou que, após sentir fortes dores de cabeça, pediu para sair, mas foi impedida sob a justificativa de que teria que ser “punida”. Ela também afirmou que todas foram obrigadas a participar de um ritual em que se colocava pólvora na palma da mão e, em seguida, se acendia o material com um charuto.
Elas tiveram a mão queimada, mas não foram autorizadas a lavar o ferimento. Ainda conforme a denúncia, o pai de santo tentou jogar uísque sobre as queimaduras, prática que a denunciante recusou, mas outras participantes teriam sido submetidas à ação.
Abalada, a mulher contou que, após o ritual, conseguiu pegar a filha e ir embora do local. Ela afirma que todas as participantes foram submetidas à tortura sem justificativa e que o pai de santo, ao ser questionado, tentou legitimar os castigos como parte dos “fundamentos” da casa.
Ainda de acordo com o relato, o pai de santo alegou posteriormente que não se lembrava de nada, pois estaria incorporado durante o ritual.


