terça-feira, novembro 3, 2026

Parada LGBT+ reforça distância da direita e contrasta com Marcha para Jesus

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SÃO PAULO, SP () – Em traje de odalisca, usando um vestido transparente, de tule preto, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) compareceu à 30ª Parada LGBT+ de São Paulo, neste domingo (7). No alto do trio, fez carão e poses para as lentes dos fotógrafos, enquanto o público entoava o coro “Erika, presidenta”. Ela era figura política mais aguardada por quem estava na avenida Paulista.

“O Brasil é um país que quer nos ver pelas costas, mas ocupamos as ruas com garra e perseverança. A maior vitória da classe trabalhadora brasileira está nas mãos de uma travesti preta”, disse Hilton, que apresentou a proposta do fim da escala 6×1, aprovada na Câmara dos Deputados.

Em seguida, cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pela votação da matéria, ao que o público reagiu entoando gritos de “Fora, Alcolumbre”. O furor ao redor de Hilton contrasta com a direita, que tomou distância da Parada e compareceu, três dias atrás, à Marcha Para Jesus.

Estiveram no evento religioso o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB-SP) e o governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi ao evento religioso, no qual ficou isolado a maior parte do tempo no trio elétrico principal.

Como tem ocorrido nos últimos anos, o prefeito e o governador ausentaram-se da Parada. Procurada, a assessoria de Tarcísio não respondeu aos contatos. A assessoria de Nunes afirmou que o prefeito estava inaugurando o Parque Verde da Mooca Vereador José Índio, na zona leste.

O diretor da Parada LGBT+, Matheus Emílio, 30, diz que a festa sempre está aberta aos representantes dos poderes Executivo e Legislativo, sem restrições ideológicas. Ele lamenta, porém, a ausência de Tarcísio e Nunes, ressaltando que a festa é um dos marcos do calendário cultural da capital paulista.

“O contraste com a Marcha para Jesus mostra que cidadãos LGBT+ ainda são tratados como cidadãos de segunda classe, nossas pautas não são prioridade e não existe um compromisso público com a nossa comunidade”, diz Emílio.

HISTÓRICO DA DIREITA NA PARADA

Nem sempre foi assim. Em outros tempos, políticos de direita iam à Parada.

O tucano Bruno Covas (1980-2021), de quem Nunes foi vice, esteve na Paulista em três edições. Em 2018, foi vaiado na fala de abertura. Quando era um governador tucano, Geraldo Alckmin também se dirigia à comunidade LGBT+.

Segundo Emilio, a ascensão do bolsonarismo diminuiu o respeito às diferenças. “A questão é atrapalhar a Parada. O conservadorismo e a extrema direita tentam tirar direitos das pessoas. Eles falam em liberdade, mas qual liberdade defendem?.” Neste domingo, o vereador Lucas Pavanato (PL) foi à Paulista e causou confusão ao provocar os presentes, fazendo vídeos para as redes.

Pavanato apoia o projeto, de autoria do vereador Rubino Nunes (União Brasil), que visa transferir a Parada para espaços fechados e proibir a presença de crianças. “O Brasil é muito maior que meia dúzia de caras de pau que estão no Congresso Nacional, na Câmara dos Vereador e na Assembleia Legislativa. Parece que não têm problema no país e tentam atacar a maior parada do mundo”, disse a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), seguindo outros discursos, que reforçaram o apoio ao fim da escala 6×1.

Também passaram pelo trio o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), que cantou “Blowin In The Wind”, de Bob Dylan, o também deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.

O orçamento foi um ponto sensível neste ano. Houve uma redução de patrocínio, o que significou uma festa menos opulenta, com menos seis trios elétricos. Nunes também diminuiu o investimento, passando de R$ 6 milhões para R$ 5,5 milhões.

Um grupo ligado ao PCdoB usou máscaras de Tarcísio, Nunes, Flávio, do presidente dos EUA Donald Trump e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. À frente, um cartaz dizia: “familícia bolsomaster”, em referência ao caso do Banco Master.

O policial militar Alexandre Dias, 39, ia e vinha na Paulista segurando um cartaz, afirmando que os partidos PL, MDB, União Brasil, PSD e Novo não se importam com a comunidade LGBT+. Segundo Dias, esses partidos lutam contra os direitos humanos. O policial militar evitou dizer se o seu pensamento é ou não minoritário na corporação.

“É preocupante não termos uma presença forte de políticos aqui na Parada, e a presença maciça de políticos na Marcha Para Jesus é assustadora”, contou. “Quando a religião entra tão diretamente na política, isso é preocupante.”

Leia Também: ‘Risco de infecção ainda é alto’, diz pai de menino atacado por tubarão em PE

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