domingo, abril 26, 2026

PF apura repasses de empresa de resort a Toffoli e encontra conversa com Vorcaro

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(FOLHAPRESS) – A Polícia Federal investiga transferências de dinheiro feitas por uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no resort Tayayá ao ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Os pagamentos teriam sido realizados pela Maridt, que participou do empreendimento e está registrada em nome de dois irmãos do magistrado.

A interlocutores, Toffoli afirmou que os repasses ocorreram porque ele é sócio da empresa ao lado de outros familiares. É a primeira vez que o ministro detalha seu envolvimento com o resort e com a companhia administrada pelos irmãos.

Uma das linhas de investigação da PF envolve possíveis transferências realizadas após os irmãos de Toffoli venderem sua participação no Tayayá ao fundo Arleen, integrante de uma estrutura ligada ao Banco Master.

Entre 2021 e 2025, segundo revelou a Folha de S.Paulo, os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do resort, localizado no Paraná, com o fundo Arleen.

O Arleen ingressou na sociedade em 2021, ao adquirir cotas de empresas pertencentes aos irmãos e a um primo do ministro. O fundo era controlado por outro fundo, o Leal, que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

As informações reunidas até o momento podem indicar, segundo investigadores, um vínculo financeiro entre o resort e o ministro, que costuma frequentar o Tayayá e utiliza uma casa no empreendimento. Para aprofundar apurações relacionadas a Toffoli, no entanto, é necessária autorização do próprio STF, já que o ministro é o relator do caso.

A PF também encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, conversas entre o banqueiro e Toffoli. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha com uma autoridade que acompanha a investigação.

Em conversas reservadas, Toffoli tem afirmado que não mantinha contato com o ex-banqueiro, mas admite que pode haver mensagens em que Vorcaro mencione seu nome. O STF não se manifestou sobre o tema.

A referência ao ministro levou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a encaminhar o material ao presidente do STF, Edson Fachin. Os investigadores pedem a abertura de novas apurações, incluindo as menções a Toffoli. Segundo o UOL, o material foi entregue pessoalmente a Fachin na segunda-feira (9), informação confirmada pela Folha.

Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou ter “preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”. A defesa acrescentou que espera que as investigações sejam conduzidas de forma isenta e imparcial.

As novas revelações aumentaram a pressão para que Toffoli se afaste da relatoria. Sua atuação no inquérito já vinha sendo questionada desde que assumiu o caso, no ano passado, e a conexão com o Tayayá ampliou as críticas.

Em relatório entregue a Fachin, a PF apontou elementos que poderiam embasar uma declaração de suspeição do ministro. O presidente do STF já intimou Toffoli a se manifestar sobre o pedido.

A auxiliares, o ministro afirma não ver motivo para deixar o caso. Seu gabinete declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações” e sustentou que a instituição não tem legitimidade para formular esse tipo de requerimento, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.

Um pedido semelhante já havia sido encaminhado pela PF à Procuradoria-Geral da República, mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento, após já ter afastado a suspeição em requerimento apresentado por parlamentares de oposição.

No STF, ministros avaliam que a arguição de suspeição é prerrogativa exclusiva da PGR, o que colocaria em dúvida a legitimidade da PF para apresentar o pedido. Mesmo assim, Fachin seguiu o rito e notificou Toffoli para se manifestar.

As investigações sobre o Banco Master também apontaram possível envolvimento de políticos com foro privilegiado. Material apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero traz referências a lideranças partidárias e altas autoridades. Eventuais apurações envolvendo essas figuras deverão tramitar no STF.

Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o celular do banqueiro, ampliando o escopo da investigação.

Venda de participação em holding que concentra bens do ex-banqueiro ocorreu em meio à crise do banco Master e antecedeu prisão de Vorcaro. Operação envolveu fundo administrado pela Reag, hoje investigada pela Polícia Federal, e levou à troca do comando da empresa.

Folhapress | 12:15 – 08/02/2026

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