Após 91 dias, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi mais uma vítima de feminicídio. O crime ocorreu no dia 18 de maio, na zona rural de Campo Grande, onde a vítima morava com o marido, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78.
A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O resultado só pôde ser concluído após a perícia constatar que a fisioterapeuta não se suicidou, conforme alegado pelo suspeito no dia do ocorrido.
Além disso, os investigadores juntaram informações de testemunhas e analisaram os aparelhos celulares do casal. Diante do conjunto de provas, foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra João na sexta-feira (14). Desde então, ele segue preso.
Com o inquérito finalizado, o caso será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para análise e oferecimento da denúncia. Veja abaixo a nota da defesa de João Jazbik Neto.
“O inquérito policial é um procedimento inquisitivo, o que significa dizer que não há contraditório, nem exercício do direito de defesa, nessa fase processual. O processo se inicia em juízo com eventual recebimento da denúncia, quando então se abrirá prazo para o oferecimento de Resposta à Acusação, com oportunidade para a defesa apontar as nulidades processuais e requerer a produção de prova e contraprova. A defesa informa, por fim, que o dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia”.
Advogado José Belga Trad
Mais uma vítima de feminicídio
Com a conclusão dos fatos, Fabíola entra oficialmente para a lista de vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul, em 2016. A fisioterapeuta foi a 12ª mulher a perder a vida para companheiro, ex-companheiro ou familiares.
Até o momento, o estado contabiliza 21 casos. Veja abaixo o nome de cada uma delas:
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista;
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá;
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim;
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados;
- Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio;
- Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos;
- Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria;
- Marlene Brito Rodrigues – 59 anos – assassinada em 06/04 em Campo Grande;
- Vera Lúcia da Silva – 41 anos – assassinada em 12/04 em Eldorado;
- Zelita Rodrigues de Souza – 77 anos – assassinada em 30 de abril em Mundo Novo;
- Fabíola Marcotti – 51 anos – assassinada em 18 de maio em Campo Grande;
- Maria do Carmo – 66 anos – assassinada em 28 de junho em Naviraí;
- Paula de Souza Conceição – 29 anos – assassinada em 11 de julho em Fátima do Sul.
- Rosenilda de Oliveira Candelario – 48 anos – assassinada em 17 de julho em Nioaque
- Terezinha Nantes de Arruda – 54 anos – assassinada em 27 de julho em Campo Grande
- Ana Carolina Goes – de 45 anos – assassinada no dia 30 de julho em Água Clara
- Adrielle Encarnação Rodrigues – assassinada no dia 31 de julho em Corumbá
- Rose Batista Cabreira – de 41 anos – assassinada no dia 2 de agosto em Dourados
- Adriana Barrios – 22 anos – assassinada no dia 5 de agosto em Paranhos.
- Nathalia Rodrigues Nogueira – de 26 anos – assassinada no dia 6 de agosto em Rio Verde de Mato Grosso.


