No fim do mês passado, a PF pediu ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que Vorcaro fosse levado de volta para o Presídio Federal de Brasília, na área do Complexo Penitenciário da Papuda.
O ex-banqueiro está na superintendência da PF desde 19 de março, quando indicou ao ministro a intenção de assinar um acordo de delação premiada.
Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, da Folha, o ministro afirmou a interlocutores com quem mantém diálogo frequente que não pretende homologar a proposta de delação nos termos em que ela se apresenta.
O magistrado está descontente com o que considera omissões do ex-banqueiro e tentativas de proteger aliados em sua proposta de colaboração premiada. Os anexos da delação foram apresentados às autoridades no último dia 6.
A posição manifestada pelo magistrado, no entanto, foi feita antes ainda da entrega dos documentos, com base em informações prévias que ele recebeu. A negociação do acordo é feita entre a defesa de Vorcaro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal.
A defesa de Vorcaro foi procurada nesta segunda-feira (18), mas não quis se manifestar sobre a mudança de cela.
O ex-banqueiro terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta para conseguir que sua delação premiada seja aceita.
Para que o acordo não seja enfraquecido, Vorcaro também deve se antecipar ao ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa. A expectativa é de que o termo de confidencialidade da delação premiada de Costa seja assinado até o fim desta semana.
Costa está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde o dia 8. Ele foi alocado no mesmo cômodo onde Bolsonaro cumpria pena antes da decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a prisão domiciliar do ex-presidente.

