terça-feira, novembro 3, 2026

Polícia investiga irmãs e mãe de Deolane por suspeita de ligação com lavagem de dinheiro

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VALÊNCIA, ESPANHA (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de São Paulo está investigando as irmãs e a mãe da influenciadora e advogada Deolane Bezerra sob a suspeita de que elas integram o mesmo esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado supostamente capitaneado por Deolane.

Ela foi presa em 21 de maio diante das suspeitas de que atuava como caixa da lavagem executada pela família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital). O Ministério Público diz ver uma relação próxima entre a família de Marcola e Deolane, o que é negado por ambos.

Um novo relatório no âmbito da Operação Vérnix ao qual a Folha teve acesso mostra que Daniele Bezerra Santos e Dayanne Bezerra Santos, irmãs de Deolane, e Solange Alves Bezerra, a mãe, aparecem como sócias de empresas ligadas à influenciadora e que agora estão sob análise dos agentes.

Investigadores relatam que o esquema envolve a operação de empresas de fachada por onde circulam quantias de fontes supostamente ilícitas. A polícia aponta que uma dessas empresas sob suspeita é a DSDD Cobranças e Informações Cadastrais LTDA., que tem Daniele como sócia e administradora e Dayanne e Solange como sócias.

Ela aparece em uma troca de emails das investigadas com o contador Eduardo Affonso Rodrigues, que também é investigado e já foi indiciado no inquérito. Interceptações também chegaram aos contatos de Rodrigues com Everton de Souza, o Player, apontado como operador financeiro do esquema, configurando uma rede que operava empresas voltadas à lavagem.

Esse mesmo contador, segundo a polícia, abriu outra empresa supostamente de fachada para Francisca Alves da Silva, a Preta, esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, irmão de Marcola.

A empresa é a FA Silva Consultoria em Gestão Empresarial LTDA, com sede no município de Pacaembu e com situação ativa. Para a investigação, o que chama a atenção é a distância de mais de 600 km entre o endereço da empresa (aparentemente um imóvel residencial) e o endereço conhecido de Francisca na cidade de São Paulo.

Para a polícia, Preta também é investigada pela movimentação do dinheiro do crime organizado, além de ser uma das principais conexões entre Deolane e o esquema investigado.

O inquérito ainda não detalhou o papel específico dos familiares de Deolane nas suspeitas de lavagem nem quanto essas empresas teriam movimentado em recursos ilícitos. Nas redes sociais, Dayanne tem criticado a investigação policial e rebatido as acusações contra a irmã presa.

O advogado Aury Lopes, que representa a família de Deolane, disse que a atividade das empresas e a origem dos recursos serão explicadas dentro do processo.

“Com relação à mãe e às irmãs da Deolane, até agora o que existem são afirmações genéricas. Realmente, elas possuem as suas empresas e algumas com sociedade comum. Tudo isso também vai ser esclarecido dentro do devido processo. Não tivemos, até agora, nenhuma imputação formal”, afirmou.

Em nota, a defesa de Marcola, Alejandro, Francisca, Leonardo e Paloma, feita pelo advogado Bruno Ferullo, disse “que segue acompanhando todos os atos investigativos e adotará as medidas jurídicas cabíveis para a garantia dos direitos de seus clientes, ressaltando que o indiciamento constitui ato investigatório e não implica reconhecimento de culpabilidade, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência”.

Os advogados do contador Eduardo Affonso Rodrigues dizem que o profissional declarou não conhecer pessoalmente os investigados Deolane, Everton e Francisca e tampouco ter mantido com eles qualquer relação direta na contratação de serviços contábeis. Diz ainda que o cliente realizou apenas o exercício da profissão na abertura das empresas na Receita Federal e Junta Comercial.

Entre os indiciados até aqui pela investigação da Operação Vérnix estão Deolane, Marcola, Marcolinha, Everton, Eduardo e dois sobrinhos de Marcola (Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho).

Deolane é suspeita de lavar dinheiro da facção criminosa por meio de uma transportadora de fachada, a empresa Lado a Lado, com operação em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Leia Também: Chrigor fala sobre volta da rotina após UTI

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