Uma armadilha articulada por meio de redes sociais terminou no desaparecimento e suspeita de sequestro de uma bebê de apenas 28 dias de vida e no cárcere privado de duas jovens em Campo Grande, nessa quinta-feira (6). A Polícia Civil investiga o caso, e a bebê ainda não foi encontrada.
A reportagem conversou com a tia da bebê, que revelou detalhes do caso. Conforme a família, a mãe da criança, de 17 anos, conheceu uma mulher em um grupo de doação de roupas de bebê, pela internet, e manteve contato durante a gestação.
Quando deu à luz, a suspeita foi até a maternidade entregar as roupinhas. Poucos dias depois, a suspeita retornou com uma proposta de trabalho: ofereceu R$ 100 para a mãe trabalhar como babá de sua filha de poucos meses, em um período curto da tarde.
Embora a tia da vítima tenha aconselhado que ela não aceitasse por estar de resguardo e recém-saída da retirada de pontos, ela decidiu ir para conseguir o dinheiro.
Emboscada
A mulher pediu um carro por aplicativo para a vítima ir até a residência. Para ajudar no trabalho, a vítima levou a filha recém-nascida, de apenas 28 dias, e a irmã de 12 anos.
Conforme a família, ao chegarem à casa, a mulher convidou a vítima para entrar e conhecer o local. Após a moça pedir um copo de água, um homem que estava escondido atrás da porta com um pano embebido em álcool a atacou, fazendo com que ela desmaiasse.
Cárcere privado
A vítima teve as mãos amarradas e foi trancada em um banheiro, onde permaneceu das 12h30 até por volta da meia-noite. Enquanto estava presa, seus seios ficaram cheios de leite e vazando.
Já a menina de 12 anos também foi amarrada, mas mantida em um quarto separado com a bebê recém-nascida. Durante o dia de cárcere, a suspeita chegou a comprar um lanche para as vítimas comerem.
Bebê foi levada
A família relata que na madrugada ambas as vítimas foram transportadas com vendas nos olhos e libertadas na região da Avenida Guaicurus, perto de uma mata. Ao conseguirem retirar as vendas, elas perceberam que os suspeitos haviam fugido levando o bebê.
Por volta das 2h da manhã desta sexta-feira (7), a mãe da criança e a irmã de 12 anos conseguiram chegar em casa, e segundo a tia da criança, elas estavam com os braços machucados e em estado de choque.

Versão da mãe
O Primeira Página teve acesso ao boletim de ocorrência, e à polícia, a mãe da bebê informou que no local, foi coagida a entregar a filha, caso contrário, ela e a irmã seriam jogadas em um buraco.
Também contou que havia cerca de 10 homens na casa, além da suspeita, e que três mulheres iriam ao local. A polícia foi até o local onde a vítima indicou ser a casa da suspeita, e ruas próximas, mas as vítimas não reconheceram os locais.
A família acionou a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que investiga o caso, realizando diligências na casa da família, e nenhuma linha de investigação foi descartada até o momento.
Cartazes em busca da criança foram divulgados pela família nas redes sociais, com objetivo de conseguir informações sobre o paradeiro da criança.

