A suposta fraude era feita por meio de um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas, que permitia aumentar artificialmente o valor das corridas. Entre as cobranças identificadas estão corridas com valores superiores a R$ 900 para a zona sul do Rio, em trajetos que não ultrapassam 20 km.
A investigação aponta que o mecanismo pode ter sido instalado em 200 táxis vinculados a uma empresa de locação de veículos. O nome do grupo não foi revelado, nem o responsável.
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros do Rocha e de Piedade, na zona norte, no centro da cidade e no aeroporto. Taxistas prestaram depoimento. Não houve prisão.
A apuração começou após a denúncia de um passageiro que desembarcou no Galeão e foi abordado por um homem que se apresentou como ligado ao serviço de táxi. Durante a corrida, o passageiro percebeu um aumento repentino no taxímetro e, ao chegar ao destino, constatou que havia pagado 50% a mais do que a tarifa regular.
O veículo foi localizado e submetido à perícia. Os exames identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro. Essa placa, segundo a polícia, é capaz de multiplicar os pulsos enviados ao sensor do carro, acelerando a cobrança.
O botão poderia ser acionado discretamente pelo motorista, e o dispositivo era capaz de aumentar o valor da corrida em 20% em um só acionamento.
Documentos apreendidos indicam que a empresa responsável pela locação dos táxis exigia a instalação do mecanismo, feita em uma oficina indicada pelo próprio grupo.
Também é apurada a possibilidade de que o dispositivo já viesse instalado e configurado à revelia do motorista locatário do táxi. Se confirmada, a prática poderia permitir fraude contínua, sem a necessidade de acionamento manual durante cada corrida.
Outra parte da operação mirou a atuação dos chamados jóqueis, funcionários responsáveis por abordar passageiros no aeroporto, sobretudo turistas. Esses agentes recebem comissões para encaminhar os visitantes a carros sem autorização para operar no aeroporto.
De acordo com as apurações, a atuação dos captadores seria coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, próxima ao aeroporto.
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