A policial penal Jorcenilma França Viegas, de 46 anos, foi indiciada pela tentativa de homicídio qualificado do entregador por aplicativo Carlos Felipe Magalhães Fernandes, de 34 anos. O indiciamento foi confirmado nesta sexta-feira (21) pelo delegado responsável pela investigação, Nilson Farias.
Segundo o delegado, a qualificadora foi aplicada porque os disparos teriam sido feitos mediante recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. O crime está previsto no artigo 121, parágrafo 2º, inciso IV, do Código Penal, na forma tentada.
Jorcenilma é investigada por disparar mais de dez vezes contra Carlos Felipe na noite de 22 de julho, no bairro CPA IV, em Cuiabá. O entregador havia ido até a casa da policial para devolver um celular pertencente à filha dela.
A policial penal foi presa preventivamente no dia 5 de agosto, duas semanas depois do crime e após a divulgação de imagens de câmeras de segurança que registraram a ocorrência.
Entregador recebeu alta
Carlos Felipe concedeu entrevista à TV Centro América nesta sexta-feira, depois de receber alta do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Ainda debilitado, ele afirmou que os médicos consideraram um milagre o fato de ter sobrevivido. “Minha vida parou. Estou tentando me adaptar a esse novo ritmo. Tenho muita dificuldade para falar, comer, dormir e respirar”, contou.
Antes dos disparos, o entregador morava sozinho e trabalhava normalmente. Agora, segundo ele, precisa da ajuda permanente dos familiares. “Eu era completamente ativo, morava sozinho e fazia as minhas coisas. Agora, fico 100% dependente dos meus pais, dos meus irmãos e de quem possa me ajudar”, relatou.
Carlos Felipe contou que havia encontrado o celular sobre um banco e decidiu procurar a proprietária para devolver o aparelho. Ao chegar à residência, entregou o telefone à policial penal. “Eu só estiquei a mão e entreguei o telefone. Ela colocou a arma em punho e disparou contra mim. Tentei correr, mas em nenhum momento fui para cima dela”, afirmou.
O entregador disse ainda que se lembra do momento em que foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Depois disso, a próxima recordação é de quando acordou do coma no hospital.
Imagens registraram os disparos
As câmeras de segurança mostram Carlos Felipe chegando ao endereço de motocicleta e entregando o celular. Na sequência, a policial se identifica e determina que ele se deite no chão. Veja o vídeo abaixo:
As imagens registram os primeiros disparos e, em seguida, mostram o entregador tentando deixar o local com a motocicleta. Ele continua sendo alvo dos tiros, desce do veículo e tenta fugir enquanto empurra a moto, mas cai.
Toda a ação dura poucos segundos. É possível ouvir mais de dez disparos nas gravações.
Logo após a ocorrência, Jorcenilma afirmou que havia reagido porque Carlos Felipe tentou tomar a arma dela. As imagens, porém, não mostram o entregador avançando contra a policial antes dos primeiros tiros.
A investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) reuniu os vídeos, laudos periciais e depoimentos para esclarecer a dinâmica do crime.
Família faz vaquinha

A mãe do entregador, Ilka Magalhães, afirmou que o filho está vivo por um milagre e espera que o caso seja esclarecido. Segundo ela, a família enfrenta dificuldades para arcar com os gastos decorrentes do tratamento e da recuperação.
Uma vaquinha foi criada para ajudar a família com medicamentos, alimentação e outras despesas de Carlos Felipe, que permanece debilitado e depende do auxílio de parentes.
O Primeira Página entrou em contato com o advogado da policial penal, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

