domingo, julho 26, 2026
Bora Ouvir – Total 40 Graus
BORA OUVIR
PROGRAMAÇÃO TOTAL 40 GRAUS
🔴 AO VIVO AGORA
Clique em "Letra" para ver a letra da música atual

Populismo compromete a competitividade: Pauta exportadora como refém do Governo

Date:

Share G1 Style

A intervenção direta do governo no mercado, com a proposta de comprar produtos barrados pelas tarifas protecionistas de Donald Trump, não é apenas um sinal de miopia econômica, mas também a prova de uma submissão perigosa a medidas de curto prazo.

Em vez de enfrentar a raiz do problema — a vulnerabilidade de nossa pauta exportadora  — a gestão federal prefere uma manobra que beira o populismo, disfarçada de estratégia de longo prazo. A decisão de despejar dinheiro público para absorver excedentes de café, frutas, pescados e mel, em um contexto de incertezas e déficits fiscais crescentes,  é uma medida que trai os princípios de uma economia de mercado saudável e competitiva e um ataque direto aos setores exportadores.

O que está em jogo não é apenas a compra de alguns produtos, mas a consolidação de uma mentalidade de que o Estado é o grande salvador, o comprador de última instância, pronto a socorrer qualquer setor que se veja em dificuldade. Essa lógica é insustentável. Ao invés de ser um facilitador do comércio, o governo se transforma em um agente central de distorção do mercado.  Essa intervenção direta é um sinal de fraqueza , uma admissão tácita de qu e a economia brasileira não tem a capacidade de se adaptar e buscar novos mercados por conta própria.

Essa política pode gerar uma dependência crônica. O Brasil se torna refém de planos de contingência que, além de onerosos, não resolvem a causa-raiz do problema. A cada novo choque externo, o governo precisará, de novo, abrir os cofres públicos. Isso sobrecarrega a máquina estatal, aumenta o risco fiscal e mina a confiança dos investidores. É como um vício: em vez de se livrar da dependência, o governo oferece uma nova dose. Essa “muleta estatal” desincentiva a inovação e a busca por eficiência. Por que um produtor se esforçaria para reduzir custos ou melhorar a qualidade se sabe que, em caso de crise, o governo estará lá para c omprar sua produ&cc edil;ão, não importa o preço?

A ausência de clareza nos detalhes do plano é outro ponto extremamente preocupante. A falta de critérios bem definidos e de transparência sobre os volumes a serem comprados abre um espaço enorme para a corrupção e o favorecimento político. O risco de que essas compras se transformem em um balcão de negócios para grupos de interesse é real e não pode ser subestimado. O dinheiro do contribuinte pode ser mal utilizado em produtos que, por não encontrarem um destino viável no mercado, podem se deteriorar, gerando um desperdício colossal.

A solução para os desafios do comércio global não está em atitudes reativas e ingênuas, como a de comprar o que os outros não querem. O protecionismo de Trump deve ser um alerta, não uma oportunidade de gastar dinheiro público. A resposta do Brasil deveria ser fortalecer a sua economia de forma estrutural, com uma política externa que promova a diversificação de parceiros comerciais e a abertura de novos mercados. O foco deve ser em políticas de longo prazo que incentivem a inovação, a competitividade e a eficiência, para que a nossa indústria e o nosso agronegócio não dependam de muletas estatais.

O plano de “socorro” do governo, na verdade, é uma armadilha que compromete o futuro da economia brasileira em nome de uma solução imediata e superficial, que apenas esconde o problema por debaixo do tapete. A verdadeira estratégia de desenvolvimento passa por menos intervencionismo e mais liberdade e competitividade para o mercado.

Não é aceitável que, em pleno século XXI, a gestão econômica do país ainda se prenda a soluções de inspiração estatizante e populista, que há muito se provaram falhas e danosas. O governo demonstra, com essa ação, uma desconexão preocupante com a realidade global e uma preferência por soluções cosméticas eleitoreiras em detrimento de reformas estruturais. O Brasil clama por liderança que inspire confiança e promova a modernização, não por uma gestão que perpetua a dependência e a vulnerabilidade, empurrando para o futuro a conta de suas próprias decisões errôneas e omissas.

Por: Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio, membro dos Comitês Juridico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.

Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Barra Redes Sociais
73,835FansLike

Artigos relacionados

Soraya Thronicke terá empresário de Corumbá e ex-prefeita como suplentes

A senadora Soraya Thronicke (PSB) definiu os dois nomes que irão compor sua chapa na disputa ao Senado...

Idosa fica internada mais de 5 dias sem avaliação médica em Miranda, denuncia família

A família de uma idosa de 75 anos, internada no Hospital Municipal de Miranda, denunciou a falta de...

Idosos com Alzheimer dormem sob risco de carro na sala por conta de buracos (vídeo)

Mordores e comerciantes da Avenida dos Crisântemos, no bairro Lar do Trabalhador, em Campo Grande, pedem providências "para...

Adolescentes com moto furtada batem em poste ao tentar fugir da polícia em Naviraí (vídeo)

Um adolescente ficou gravemente ferido ao bater uma motocicleta furtada contra um poste durante fuga da Polícia Militar, na...