sexta-feira, outubro 30, 2026

Por que a Austrália baniu redes sociais para menores de 16 anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No dia 10 de dezembro de 2025, os adolescentes australianos acordaram num mundo sem redes sociais.

Isso mesmo. Instagram, TikTok, Facebook, Snapchat e Youtube tiveram de bloquear as contas de usuários com menos de 16 anos por causa de uma lei nacional que pretende proteger crianças e adolescentes do cyberbullying, do vício em telas e da exposição a conteúdos tóxicos, especialmente os violentos e sexuais, que circulam por ali.

Hoje já se sabe que a arquitetura dessas plataformas aplica conhecimentos da neurociência e da psicologia comportamental para ativar o sistema de recompensa do cérebro a partir de conteúdos rápidos, em feeds de rolagem infinita capazes de gerar um uso excessivo e compulsivo dessas mídias.

Os likes e comentários funcionam como um disparador de dopamina, um neurotransmissor ligado ao bem-estar e ao prazer. E quando seus níveis caem, a tendência é que se busque reproduzir o comportamento que pode servir como gatilho de um outro pico de dopamina.

Se esse apelo já é muito envolvente para os adultos, ele se torna quase irresistível para adolescentes cujo cérebro está em fase de formação. E é aí que mora o problema.

Estudos já apontaram que quanto maior o tempo de uso de redes sociais, maiores as chances de o adolescente desenvolver quadros de depressão e de ansiedade. Entre adolescentes americanos, por exemplo, esses problemas de saúde mental cresceram cerca de 150% em dez anos.

Como se não bastasse, esse uso também prejudica a atenção e a sociabilidade desses adolescentes e já foi relacionado ao aumento de distúrbios de imagem, como bulimia e anorexia, principalmente em meninas, e de casos de automutilação e até suidício.

O livro “Geração Ansiosa”, do psicólogo social Jonathan Haidt, compilou uma série de estudos e dados sobre a deterioração da saúde mental de adolescentes e jovens que apontam para o abuso de tempo nas redes sociais como fator fundamental para estes processos. No livro, ele indica que redes sociais deveriam ser permitidas apenas após 16 anos, quando as fases cruciais do desenvolvimento cerebral foram preservadas.

Na esteira do experimento australiano, países como França, Dinamarca e Malásia apresentaram propostas semelhantes.

Críticos do banimento argumentam que a medida fere a liberdade de informação dos adolescentes e que, no lugar de proibir usuários, seria mais importante regular a atividade dessas plataformas para que elas invistam pesado em segurança online e educar os jovens sobre os problemas de saúde que elas podem trazer. E algumas empresas já estão recorrendo à Justiça australiana contra a medida considerada por elas como inconstitucional.

GPT Image 1.5 promete gerar e editar imagens com mais precisão, rapidez e fidelidade às instruções dos usuários, em meio à disputa acirrada com o Google no mercado de inteligência artificial

Notícias ao Minuto | 07:00 – 17/12/2025

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