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Por que não é possível prever um terremoto, como o que atingiu a Venezuela?

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SÃO PAULO, SP (UOL/) – O recente duplo terremoto que atingiu a Venezuela nesta quarta-feira (24), com magnitudes de 7,2 e 7,5, causou dezenas de mortes, centenas de feridos e danos significativos em Caracas e outras regiões.

Mas por que ainda não conseguimos prever antecipadamente quando e onde um evento desse tipo vai acontecer?

Uma previsão científica de terremoto deve especificar com precisão três elementos: data e hora exatas, localização específica e magnitude. O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) explica que, sem esses detalhes, o que se tem são apenas declarações vagas ou probabilidades, e não uma previsão verdadeira.

Muitos acreditam em sinais como atividade de animais, aumento de radônio na água, enxames de pequenos tremores ou comportamento incomum da natureza. No entanto, esses “precursores” ocorrem com frequência sem serem seguidos por um grande terremoto. Da mesma forma, a maioria dos grandes sismos acontece sem qualquer aviso prévio claro.

Declarações de supostos previsores geralmente são muito gerais ou baseadas em pseudociência, segundo o USGS. “Quando um terremoto acontece, eles reivindicam acerto mesmo que os detalhes não batem. Isso não atende aos critérios científicos”, diz a instituição.

Em vez de previsões de curto prazo, os sismólogos calculam probabilidades de que um grande terremoto ocorra em uma região específica nos próximos anos ou décadas. Esses dados são usados em mapas de risco para orientar construções mais seguras e políticas de prevenção.

O QUE É UM TERREMOTO E COMO ELE É PROVOCADO?

Terremotos são vibrações provocadas pela liberação repentina de energia no interior da Terra. Como explicou Fábio Reis, professor titular do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp de Rio Claro, a Tilt em reportagem do ano passado, “o terremoto é a propagação de uma onda de vibração de partículas”.

Essa energia se acumula ao longo de falhas geológicas, onde blocos rochosos se movimentam. “Ele é gerado a partir da liberação da energia de atrito entre dois blocos rochosos”, afirma o especialista.

Terra está dividida em grandes placas tectônicas, que se movimentam constantemente. “Essas placas são como grandes blocos que se deslocam lentamente, e o atrito entre elas pode gerar terremotos”, detalha Reis.
Ponto onde essa energia é liberada recebe o nome de epicentro. “Ela se propaga a partir de um ponto em todas as direções, em três dimensões”, diz o geólogo.

O PAPEL DO SISMÓGRAFO

Sismógrafos são equipamentos que detectam e registram as vibrações causadas por terremotos. “Ele mede a propagação da onda, essa vibração de partículas”, explica Reis.

O sismógrafo não prevê o terremoto, apenas monitora sua ocorrência. “Ele não prevê, ele acompanha o processo de propagação do terremoto”, diz o especialista.

Há sismógrafos espalhados em pontos estratégicos ao redor do mundo. “Esses equipamentos registram a vibração em todos os sentidos, conforme a onda sísmica se espalha”, complementa Reis.

MAS POR QUE É TÃO DIFÍCIL PREVER UM TERREMOTO?

Sabemos onde a energia se acumula, mas não quando ela será liberada. “A grande questão é quando essa energia vai ser liberada”, afirma Reis.

Escala Richter mede a magnitude do tremor, enquanto a intensidade avalia os danos causados. “A magnitude é a energia propagada, e a intensidade está associada ao dano causado pelo terremoto”, explica o professor da Unesp.

Falhas geológicas são estruturas profundas e extensas, o que dificulta a instalação de sensores. “Muitos terremotos acontecem a 50 km de profundidade, e o furo mais profundo da crosta só chegou a 12 km”, explica o professor.

Há desafios técnicos para medir o comportamento das rochas em grandes profundidades. “Tem esse desafio tecnológico de colocar sensores em uma profundidade que a gente não consegue nem furar ainda”, diz Reis.

Energia pode ser liberada de forma gradual ou abrupta, o que torna a previsão ainda mais complexa. “Pode ser eliminada em sismos pequenos ou liberada de uma vez só em um sismo grande”, analisa o geólogo.

Tipo de solo e a profundidade do epicentro também afetam o impacto. “Um terremoto mais próximo da superfície tende a causar mais danos”, afirma Reis.
Preparação das cidades faz diferença nos efeitos sentidos pela população. Como não é possível prever com exatidão, os esforços concentram-se em construir edifícios mais resistentes, educar a população, melhorar sistemas de alerta e mapear zonas de risco.

Leia Também: Após terremotos, governo Trump presta solidariedade à Venezuela e diz que vai ajudar país

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