Quatro alvos presos da operação “Buraco Sem Fim”, realizada nesta terça-feira (12) pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), já foram réus na Operação Cascalhos de Areia, que apura fraudes em contratos com empreiteiras por manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV), deflagrada em junho de 2023.
Naquela época, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na Capital, decorrentes de decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul, já que uma possível organização criminosa estabelecida para a prática de crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, relativos a contratos para manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinário de veículos junto ao Município, que ultrapassam o valor de R$ 300 milhões.
Secretário de obras do município desde 2017, Rudi Fiorese foi um dos alvos e chegou a ser indiciado. Ele deixou o cargo no mesmo ano da operação.
Além dele, o servidor da prefeitura, que atua como coordenador da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Edivaldo Aquino Pereira, também foi um dos alvos da Cascalho de Areia, já que atuava como fiscal do contrato de aquisição de CBUQ (concreto betuminoso usinado quente).
O engenheiro Mehdi Talayeh, servidor comissionado da prefeitura de 2020, com salário de até R$ 19 mil, era investigado na ação de 2023 por envolvimento no esquema fraudulento. Fora os três, o quarto e o quinto presos desta terça-feira, Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula e Fernando de Souza Oliveira eram servidores da pasta e foram alguns dos alvos.
A ação capturou ainda o megaempresário André Luís dos Santos, conhecido como ‘Patrola’, proprietário das empreiteiras ALS dos Santos e ALS Transportes. Ele foi inclusive investigado por suspeita de lavar dinheiro do prefeito da época, Marquinhos Trad, que não chegou a ser investigado durante a operação.
Conforme denúncia recebida pela 3ª Câmara Criminal, a empresa de André Patrola venceu licitação em ‘processo fraudado para beneficiar sua empresa, que é empresa de fachada de Marquinhos Trad’. Também afirma que ‘a licitação foi sobre via não pavimentada para evitar fiscalização na execução dos trabalhos’.
‘O valor milionário foi usado para aquisição de imóveis em Campo Grande para uso da família Trad, em nome de André Luís dos Santos. A exploração dos imóveis está sendo feita por meio de uma imobiliária que está no nome da esposa de André Luís dos Santos’, diz a denúncia, que afirma que o mesmo esquema foi feito em Corumbá.
O uso de dinheiro obtido de forma ilegal e transformado em patrimônio legal é comumente chamado de ‘lavagem de dinheiro’.
Hoje, Rudi, Edivaldo, Erick, Fernando e Mehdi caíram mais uma vez por ações envolvendo tapa-buracos. Agora, o MPMS identificou indícios do envolvimento deles em uma organização criminosa responsável por fraudar medições de serviços de manutenção viária para viabilizar pagamentos indevidos com recursos públicos.
As apurações apontam que serviços pagos pela administração municipal não corresponderiam ao que efetivamente foi executado, o que teria provocado desvios de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos investigados e prejuízos à qualidade das vias urbanas da Capital.
Durante o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão, investigadores encontraram ao menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em endereços ligados aos alvos da operação.
A investigação é conduzida em conjunto pelo Gecoc, Gaeco, Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e pela 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Grande optou por se calar sobre o assunto, não respondendo às tentativas de contato.
Presos
No núcleo empresarial estão Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, da Rial Construtora, principais responsáveis pelos contratos milionários alvos da operação.
O servidor Fernando de Souza Oliveira também foi alvo da ação. O envolvimento de cada um na trama de superfaturamento em cima das obras públicas não chegou a ser divulgado até o momento.

